Aniversário do meu velhote

O dia 25 de Abril tem um significado muito forte para todos nós, portugueses. Não vos venho dar nenhuma lição de história mas este dia tem, para mim e para a minha família, uma importância que vai muito para além da Revolução dos Cravos.

É que, no dia 25 de Abril, celebramos o aniversário do meu pai. Não temos a relação pai-filha perfeita. Talvez por termos feitios parecidos, segundo diz a minha mãe, estávamos frequentemente às turras quando morávamos debaixo do mesmo tecto. Desde que saí de casa, contudo, a nossa relação melhorou bastante. Acho que as saudades nos fazem bem e nos fazem dar mais valor às pessoas quando estamos com elas.

O meu pai é um homem muito especial. Apesar de ser muitas vezes casmurro e rezingão, é um homem que nunca deixou que nos faltasse nada. Quando nasci, no Porto, o meu pai fazia viagens diárias entre Lisboa e Porto só para me ver. Cozinhava sempre os meus pratos preferidos (é um excelente cozinheiro). Levava-me com ele para o café debaixo da nossa antiga casa para eu brincar na rua com as pessoas do bairro. Hoje em dia ainda trata das chatices do meu carro e é sempre ele que faz o meu IRS. Derrete-se quando vê crianças e sei que está à espera ansiosamente pelo dia em que será avô (que, pelo andar da carruagem, ainda vai ter de esperar uns bons aninhos).

Nem toda a gente tem a sorte de ter um pai como o meu, eu sei. Com todos os seus defeitos e feitio, sei que há poucos homens que se entreguem tanto à missão de ser pai de corpo e alma como ele o fez e faz ainda.

E hoje é o dia dele. Todos os dias o são, mas hoje é o dia em que o enchemos (mais) de mimos. Parabéns, paizão.