Sobre ensinar as nossas crianças a praticar o amor no regresso às aulas

Na próxima semana, a minha enteada começa a escola. Vai entrar para o quinto ano numa escola nova, embora no mesmo agrupamento. Não posso adivinhar o que lhe vai na alma, mas recordo-me da ansiedade do início de cada ano lectivo, especialmente se isso implicasse a mudança de ciclo e, portanto, quase sempre, uma escola nova. Felizmente sempre fui uma miúda sociável que, embora tímida ao início, tive sempre uma boa capacidade relacional e de fazer amizades com facilidade. Mas outros miúdos não tinham a mesma sorte.

Há assuntos sobre os quais pouco se fala, especialmente do quão cruéis as crianças podem ser umas com as outras embora, ao contrário dos adultos, elas não saibam ainda as consequências que podem causar noutros meninos.

Sobre ensinar as nossas crianças a praticar o amor no regresso às aulas

Acho importante que, como pais ou adultos que lidem com crianças, sensibilizemos os mais novos para a necessidade de sermos BONS. De praticarmos o bem e de procurarmos ajudar os outros. Foi isso que tentei fazer com a minha enteada. Sentei-me com ela e expliquei-lhe que há meninos que podem ter dificuldade em fazer amigos. Que podem ser gozados por outros meninos e sentirem-se tristes. Que podem ter roupas rotas ou vestirem-se de forma diferente, mas que não é por isso que se deve gozar com eles. Pelo contrário – devemos dar-lhes uma palavra amiga.

Quando virem um menino a almoçar sozinho, proponham sentar-se ao seu lado para fazer companhia. Se uma menina estiver sozinha no recreio, convidem-na para brincar. Se virem uma criança a ser vítima de bullying (agredida, gozada, humilhada), defendam-na. Ou, no mínimo, chamem um adulto responsável para ajudar – mas não fiquem calados a deixar que outra criança seja espezinhada. Se um menino tiver dificuldades em alguma disciplina, sugiram estudar um bocadinho depois das aulas ou no recreio. Se uma menina for gozada porque não usa a roupinha da moda ou porque não tem roupas de marca, desvalorizem e digam que isso não importa para nada.

Cabe-nos a nós, adultos, influenciar positivamente as crianças que nos rodeiam. As crianças de hoje são os adultos de amanhã. E não seria o mundo um sítio muito melhor se nos ajudássemos uns aos outros, ao invés de promovermos intrigas e de causarmos dor nos outros?

Encham as vossas crianças de amor. Encham-nas de valores humanos, de bondade, carinho, sensibilidade e empatia. E assim o futuro de todos nós, incluindo o delas, será muito mais feliz.