Há quem diga que o problema das expectativas femininas em relação ao amor venha da Disney. Crescemos a ver demonstrações de amor e romantismo com as nossas princesas encantadas preferidas e achámos que, quando crescêssemos, ia ser assim. Íamos enfrentar todos os obstáculos e o nosso grande amor viria sempre salvar-nos, montado num cavalo branco, e enfrentar todos os dragões ou bruxas maléficas que se atravessassem no nosso caminho. Depois, quando passámos a fase de ver desenhos animados, começámos a ver comédias românticas (ou, basicamente, qualquer filme que não fosse terror), onde há sempre casais apaixonados e onde uma relação acaba sempre bem depois de o homem, que geralmente faz asneira, conseguir remediar a situação com um grande gesto.

É… mas o problema é que, se por um lado temos anos e anos destas memórias infantis e destes desejos suprimidos, por outro lado desenvolvemos a nossa personalidade entre o século XX e XXI, onde a realidade é completamente oposta – as expectativas são demasiado elevadas para o tipo de homens que andam por aí.

Como nós, mulheres-românticas incuráveis-parvinhas, crescemos com estas ilusões românticas sobre o amor, é-nos muito mais fácil agir em conformidade com aquilo que esperamos, um dia, receber também. Não temos qualquer problema em passar meses a preparar uma surpresa de aniversário para o nosso mais-que-tudo, a descobrir onde é que o artista preferido dele vai tocar na Europa para lhe oferecermos um bilhete para o concerto + viagem + estadia, em vestir uma lingerie especial e surpreendê-lo quando ele chegar a casa, e por aí fora. Desde as coisas mais rebuscadas às que parecem mais simples, a verdade é que nós, mulheres, adoramos surpresas – inclusive fazê-las. Mas voltamos àquele problema do “dar VS receber” que já tinha falado antes.

Quando fazemos tudo isto por alguém, agarramo-nos às expectativas do retorno. Aliás, os próprios marmanjos costumam deixar-nos cheias de expectativas. “Prometo que vamos àquele sítio que gostas tanto, em breve”, “Espera só mais umas semanas, que daqui a nada acabo este projecto e já tenho tempo para ti”, “É só uma fase no trabalho, prometo que depois compenso”. E não, nunca acontece (ou raramente, pelo menos). É que, para eles, são só palavras que dizem da boca para fora para nos calar naquele momento e adiar uma discussão – na qual, provavelmente, até temos razão (as usual).

É fácil prometer mundos e fundos, mas é mais difícil cumprir. E se, para eles, são apenas promessas vazias, para nós significam muito e são, muitas vezes, o motivo pelo qual suportamos tantas ausências e friezas. É que promessas levam a expectativas e, quando as expectativas não são cumpridas, sentimo-nos defraudadas. Afinal, andamos a aguentar tanta treta para quê? Afinal, suportámos isto tudo para quê? Para ficar tudo igual ao que estava antes?

Pois é… é que nós somos fortes, mas não somos de ferro. E se elevamos as expectativas, é porque assim nos dizem para o fazer. É porque nós nos comportamos à altura das expectativas que temos e, como somos capazes de o fazer (e fazemos mesmo), achamos que o maridão também tem que o fazer. Mas e agora? Será que a culpa é dele, que prometeu em vão? Ou será que a culpa é nossa que, como fazemos aos outros, achamos que nos vão fazer a nós de igual forma? Pois bem… eu continuo a dizer que a culpa é muito nossa por nos iludirmos. Aliás, se lhes fizéssemos menos, esperávamos menos deles também. Mas quando se faz uma promessa, deve-se cumpri-la.

Ai, se eles soubessem o quão pouco é preciso para nos fazer feliz…