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Uma das minhas grandes resoluções para os próximos anos da minha vida é deixar de consumir tanto. Recordo-me de todas as vezes que comprei comida que depois acabei por deixar estragar. Da roupa que comprei e que nunca lhe tirei a etiqueta. Dos acessórios que usei uma vez e ainda lá estão, a ocupar espaço, sem nunca mais terem tido uso. Tenho sido uma pessoa consumista e reconheço-o. Não que compre nada acima das minhas possibilidades mas um topzinho aqui, um batonzinho ali e uns sapatinhos acolá fazem mossa na conta bancária, enchem a minha casa de “tretas” e tornam-se um ciclo vicioso. Depois de pensar bastante no assunto, sei que não tenho comprado muito com consciência. Compro por impulso. Não tenho sempre procurado saber a origem da marca, se é amiga do ambiente e dos animais. Não procuro saber se é uma escolha sustentável. Era basicamente “É giro? Apetece-me? Então siga para bingo!”

Não me martirizo por isso, mas não é assim que quero ser. Quero comprar com consciência e apenas aquilo que realmente preciso. Chega de desperdícios. Chega de comprar por comprar. Chega de esbanjar dinheiro em coisas que depois não utilizo. Decidi que 2019 é o ano em que começo a viver mais com menos e, por isso, andei a pensar em perguntas para decidir se devo comprar algo ou não.

Perguntas para decidir se devo comprar algo ou não

A primeira é “Eu quero mesmo isto?”. Ás vezes olho para uma peça de roupa e acho-a super gira e, assim que a vejo, parece que a quero muito. Mas, quando páro para pensar em como a combinaria no meu dia-a-dia, percebo que não há espaço para ela no meu guarda-roupa porque, afinal, nem é assim tão gira ou porque nem sei quando a iria usar. E depois penso – valeria mesmo a pena dar este valor por esta peça?

A segunda pergunta é “Eu preciso mesmo disto?”. Claro que se eu tiver ido às compras com uma lista e já souber que é aquilo que eu preciso, está respondido. Mas, muito à semelhança da primeira resposta, é preciso pensar se aquela peça faz realmente falta. Estava mesmo a precisar de mais umas botas pretas? Estava mesmo a precisar de mais um par de brincos?

Se chegarem a esta pergunta é porque responderam afirmativamente a todas as anteriores. A terceira é “Eu tenho orçamento para esta peça?”. Tenho sempre comigo um papel onde tenho todas as minhas despesas mensais. Já sei quanto do meu ordenado sobra para pequenos extras e sei que é apenas com esse montante que posso comprar (tudo o resto está destinado a pagar contas). E, meus amigos, esqueçam o cartão de crédito. Acho que é a pior invenção da história para quem quer poupar ou ser mais consciente nas suas compras. Um cartão de crédito faz-nos comprar sem sequer pensar no dinheiro e, no meu caso, não funciona.

Se continuam a dizer que sim, há mais uma pergunta: “Tenho que comprar agora?”. Quando vou ao supermercado comprar papel higiénico ou arroz, já sei que tem de ser agora porque fui lá com esse propósito. Mas, às vezes, também trago muitos outros produtos dos quais não precisava e que tinha bastante em stock. Se tiverem que comprar no momento, comprem. Se for uma compra que pode ser feita alguns dias depois, deixem para depois.

Nem toda a gente sentirá a necessidade de colocar esta pergunta mas acho que faz cada vez mais sentido. “É uma compra sustentável?” A pergunta pode facilmente ser adaptada a “Este produto é biológico?” ou “Esta marca testa em animais?”.

Continuamos com as perguntas. “Estou a pagar o preço certo?”. E esta pergunta é particularmente relevante em ocasiões como a Black Friday, onde várias marcas aumentam o valor dos preços para, depois, simularem grandes descontos. É importante muito comum encontrar produtos com o preço inflacionado.

Vou encontrar isto mais barato em outro sítio?”. Por vezes há peças muito parecidas (e até mais giras) ou produtos que têm um preço mais barato noutra loja/supermercado ou que estão em promoção. Antes de comprar vale a pena confirmar os folhetos promocionais para aquilo que realmente queremos/precisamos para garantir que estamos a pagar o melhor preço.

A derradeira pergunta que me faço a mim mesma é “O que poderia fazer com este dinheiro?” e, acreditem, já me poupou muitas compras inúteis. Recentemente, ia comprar uns ténis (ou sapatilhas, para a malta do Norte) de plataforma que custavam 30 euros. Queria-os? Sim. Precisava deles? Não. Ainda assim, estive mesmo mesmo quase a trazê-los e foi esta pergunta que me impediu. Quando pensei no que poderia fazer com 30€ ou como esses 30€ podiam ir para o meu fundo de viagens (que é bem mais importante para mim do que os ténis), deixei-os de lado e segui a minha vidinha. Ainda penso nos ténis mas daqui a uns meses já deixaram de ser moda e os 30€ vão-me dar jeito quando marcar a próxima viagem. A mesma coisa com ir comer fora. Pagar 20 euros por um almoço fora quando tenho comida boa em casa, e quando 20€ no supermercado me dá para uns quatro dias de refeições. Pensando assim, é mais fácil escolher.

Posto isto, deixei de fazer compras? Não. Vou deixar de comprar uma ou outra peça que goste? Não. Mas deixarei as compras mais fúteis para momentos como o meu aniversário, em que talvez me saiba bem estrear uma peça nova.

Acredito que, quando compramos com consciência e aquilo que apenas precisamos, também nos sentimos bem connosco próprios. Vejo muita gente à minha volta a gastar dinheiro que não tem para ter coisas que não precisa. Muita gente que, quando chega o final do mês, anda a pedir dinheiro emprestado ou precisa de pensões para pagar as suas contas. Isso, para mim, não faz sentido. Prefiro comprar menos mas que nunca me falte nada.

Espero que estas perguntas para decidir se devem comprar algo ou não vos ajude a ter um ano de compras mais conscientes.