Os livros que li em Janeiro 2019

Livro “Barriga FIT”

Na verdade, este livro não é novidade cá em casa e já o tinha desde 2017, altura em que foi lançado. Mas, como decidi começar a fazer as massagens Barriga Fit da Izabel de Paula, achei que fazia todo o sentido retomar a leitura do livro, acima de tudo para me mentalizar sobre os alimentos que devo evitar, bem como os chás e sopas adequados para quem quer ter uma barriga mais lisa e um intestino mais funcional.

Este é daqueles livros práticos que se lêem num instante e que até convém ter por perto se queremos seguir à risca aquilo que dizem – quase como que uma cábula que guardamos para espreitar quando surgem dúvidas. Para além de nos contar, de forma muito breve, a história da Izabel – uma mulher que lutou pelos seus sonhos e os concretizou, tornando-se uma Body Shaper de renome no nosso país – traz-nos uma componente de nutrição e exercício, onde inclusivamente podemos ir apontando os nossos objectivos e ir escrevendo no livro.

Livro “Três Coroas Negras” 

Livro Tres Coroas NegrasJá andava com o livro “Três Coroas Negras” debaixo de olho há alguns meses. Foi uma excelente leitura para começar o ano. A história é absolutamente viciante para mim, que vim de um 2018 em que praticamente só li thrillers e que, portanto, recebi este livro como uma “lufada de ar fresco”.

Mirabella, Katharine e Arsinoe são irmãs gémeas, rainhas, que foram separadas aos 6 anos de idade. Cada uma tem um dom diferente – uma é naturalista (controla os animais), outra é elementar (controla os elementos) e outra envenenadora (sabe fazer e resiste aos mais perigosos venenos). Dos 6 aos 16 anos viveram em famílias que as ajudaram a desenvolver os seus dons. Mas, aos 16 anos, começa o ritual que vai mudar o seu destino e para o qual se prepararam todos esses anos. Só uma delas pode ser rainha, tendo de assassinar as suas duas irmãs.

A cada capítulo temos oportunidade de conhecer cada uma das rainhas, os seus poderes (chamados de “dons”) e as pessoas que as rodeiam. Falo por mim, mas não consegui escolher uma favorita. Todas têm um lado carinhoso, todas têm dons incríveis, todas são sensíveis à sua maneira, todas têm imenso potencial. Entreguei-me, página por página, às três irmãs e aguardei ansiosamente para conhecer o desfecho. Apesar de estar à espera da descoberta que foi feita no final do livro, não deixou de me deixa ainda mais ansiosa pelo que vem a seguir.

A única parte má deste livro é que tem continuação e ainda não é desta que vou saber quem vai ser a rainha e o que acontece às três irmãs nesta saga. Irão os laços de sangue falar mais alto? Irão mesmo tentar matar-se umas às outras? A história é tão envolvente que ia resumindo a história, aos poucos, à minha enteada de 9 anos. Ela gostou tanto que, ainda agora, me vai perguntando se já sei o que acontece às rainhas.

Ainda não existe a continuação em português, apenas em inglês (One Dark Throne) mas estou a ponderar seriamente ler em inglês também, tal não foi o “bichinho” que deixou cá dentro. Sim, que ninguém aguenta a espera!

Livro “Às Cegas”

Livro As CegasSou uma medricas de primeira. Filmes de terror são os únicos que não consigo ver. Tenho uma imaginação demasiado fértil para conseguir dormir descansada à noite se vir um filme de terror ou se ouvir uma história assustadora. Descobri o “Às Cegas” quando a Netflix lançou o filme inspirado no livro do mesmo nome, de Josh Malerman. Recusei-me, até hoje, a ver o filme mas decidi ler o livro e ainda bem.

O cenário é apocalíptico. Tudo começa quando, na Rússia, surgem relatos de mortes absurdas. Rapidamente começam a morrer pessoas da mesma forma em todo o mundo. Resumindo, as pessoas começam a morrer de forma absolutamente violenta após olharem para umas “criaturas”. Olhar para elas faz com que as pessoas enlouqueçam e se suicidem de todas as formas e feitios, com um realismo macabro. Ninguém sabe como são estas “criaturas” porque todos aqueles que olham para elas, morrem a seguir. Não se sabe se são monstros ou o que raio possam ser. Teorias apontam para outras formas de vida/inteligência que não eram supostas coexistir connosco e que, por não estarmos preparados para coexistir com elas, enlouquecemos. A solução improvisada foi colocar vendas nos olhos e tapar todas as portas e janelas, evitando o mundo exterior.

O livro anda para trás e para a frente no tempo, sendo relatada através da perspectiva de Malorie – uma mulher sobrevivente neste cenário caótico que descobre que está grávida quando começam a surgir as primeiras notícias sobre as “criaturas”. Tudo no livro converge até ao presente, altura em que Maloria foge da casa onde reside com os seus dois filhos (um menino e uma menina de 4 anos) e se aventura a atravessar o rio, sempre de olhos vendados, tanto ela como os miúdos, na esperança de alcançar um abrigo seguro. Os perigos espreitam a cada remada. Animais, humanos, criaturas. Tudo pode estar a rodeá-los e, sem a protecção das quatro paredes, e confiando apenas na audição apuradíssima que têm vindo a desenvolver ao longo dos anos, Malorie e os filhos lutam por sobreviver.

Enquanto ansiamos por acompanhar a viagem de barco e saber se existe, efectivamente, um abrigo e uma forma sustentável de viver num mundo cheio de “criaturas” mortais, vamos sabendo o que levou Malorie até à casa onde se encontrava, como era o dia-a-dia das pessoas com quem vivia naquela casa e como foi que todas elas desapareceram.

Há muitos momentos de suster a respiração ao longo do livro. A narrativa está muito bem conseguida e consegue deixar o próprio leitor alerta a qualquer movimento. Sempre à espera de saber mais sobre esta “epidemia”. Para além dos momentos de suspense e de querermos saber mais sobre aquele grupo de pessoas, este livro fez-me reflectir sobre a forma como o ser humano reage em cenários de crise. É nos momentos apocalípticos que se revela a nossa essência. Mas é também curioso como o Homem é uma espécie resistente, que procura todas as formas de sobrevivência. Como os nossos sentidos se apuram quando outros falham. De como é fácil perder a Humanidade. Lembrou-me, nesse sentido, o “Ensaio Sobre a Cegueira”, sem dúvida. E, sem dúvida, é uma história muito cativante.

Livro “A Menina Na Floresta”

Livro A Menina Na FlorestaTer ficado viciada na história da saga “Millennium” fez com que criasse uma óptima imagem dos escritores suecos. Por isso, quando vi a capa do livro “A Menina Na Floresta” numa estante de supermercado e vi que era um thriller de uma autora sueca, decidi na hora que teria de ler aquele livro.

Uma menina de quatro anos, Nea, desaparece na floresta ao lado de sua casa e, quando finalmente a descobrem, está morta. Curiosamente, há trinta anos, no mesmo exacto local, uma menina que morava na mesma casa e com a mesma idade, Stella, tinha sido encontrada morta. Nessa altura, foram identificados dois culpados – duas amigas de 13 anos que, claro, passaram os 30 anos seguintes a serem confrontadas com o assassinato de Stella. O curioso é que o novo assassinato ocorre, precisamente, quando essas duas adolescentes (agora mulheres), voltam a estar juntas na mesma cidade. Agora, essa cidade da Suécia está a abrigar um grupo de refugiados sírios que dividem as opiniões do povo sueco.

Ao mesmo tempo, é-nos narrada a história dos vários elementos da polícia que vão tentando resolver o crime, da jornalista que está a escrever o livro sobre o assassinato de Stella, de um grupo de adolescentes perturbados e das próprias acusadas de matar Stella. Há um enredo complexo que, ao início, foi difícil para mim acompanhar. Felizmente consegui, depois, seguir a linha da história e perceber melhor cada uma das personagens. Finalmente entendi o porquê de ser um livro tão grande, porque cada personagem tem a sua complexidade e contribui, de alguma forma, para o desenrolar da história.

Descobre-se, no fim, quem realmente matou Stella há 30 anos e quem matou Nea no presente. Ainda que fosse esse o grande objectivo do livro – descobrir os assassinos – a verdade é que há outros desfechos surpreendentes, relacionados com as histórias de outros personagens menos centrais e que têm um impacto brutal.

Fiquei, sem dúvida, com muita vontade de ler os outros livros de Camilla Läckberg.

Livro “VOX”

Livro "VOX"Imaginem viver num país em que, de repente, as mulheres não podem dizer mais que 100 palavras por dia, ou recebem um choque eléctrico. Em que os homossexuais são enviados para campos de trabalho forçados, sem poder dizer qualquer palavra. Em que voltamos a seguir à risca o lema “Deus, Pátria e Família”, mas em que, depois de Deus, se encontra o homem. As mulheres deixaram de poder trabalhar e estão confinadas à sua casa e aos seus deveres de “mulher”. E o pior disto tudo? É que a população votou naquele homem para Presidente. Foram as pessoas, mulheres inclusive, que votaram naqueles ideais. Faz lembrar um pouco como pode ter sido a ascensão de Hitler ao poder.

Todo este cenário pavoroso é-nos narrado pela Dra. Jean McClellan, ex especialista em neurolinguística, com quatro filhos e um marido médico. Tal como todas as outras mulheres do seu país, está obrigada a controlar as palavras que diz. Está proibida de trabalhar. Não pode ter telemóvel nem computador. E, claro, ganha algum ódio pelos homens, incluindo o seu marido e o seu filho. Vemos como, nas escolas, começam a ensinar os adolescentes a seguir estes ideais pré-históricos e de como, aos poucos, vão entrando na cabeça dos homens e até das mulheres. Em vários momentos senti raiva, frustração e revolta. Creio que, tal como a personagem principal, iria sempre viver revoltada.

Por ser especialista em neurolinguística, Jean é chamada pelo Governo para trabalhar num projecto ultrassecreto de encontrar a cura para uma paralisia do cérebro. É nessa altura que Jean tenta travar o Governo ao mesmo tempo que procura uma forma de sair do país. É assustador pensar que vários países acreditaram realmente nestas premissas e o livro não deixa de ser uma metáfora e um verdadeiro “abre-olhos”.

Fez-me reflectir nas escolhas que certas potências mundiais escolheram para presidente, e de como este cenário pode ser uma hipótese num futuro não muito longínquo. É um livro que se lê bastante bem. E embora tenha gostado do enredo e tivesse ficado surpreendida com o desenrolar da história, sobretudo no fim, é a mensagem subjacente que me marca. A raiva que senti em certos momentos do livro fez-me ganhar consciência de que terei de lutar sempre pelos meus direitos.