Enquanto algumas das minhas séries preferidas estiveram em pausa (Revenge, Anatomia de Grey e Guerra dos Tronos), tive de começar a procurar algo para me entreter e justificar a minha existência nesses entretantos. 

E foi assim que, sem querer, ganhei um novo vício: “Shameless” (“Sem Limites”). Comecei por ir vendo esporadicamente, porque tenho normalmente a televisão ligada na FoxLife quando estou de folga ou a trabalhar em casa e, pouco a pouco, comecei a apanhar o fio à meada e a “agarrar-me” à história.
 
“Shameless”conta a história de uma família completamente extremamente pobre e disfuncional que, sabe-se lá bem como, consegue sobreviver, episódio após episódio, a uma série de alhadas. 
Depois do sucesso da série original (britânica), os americanos decidiram tentar a sua sorte e apresentar a sua versão da (complemente descompensada) família Gallagher. 
Frank, um pai alcóolico, manipulador, drogado, cheio de esquemas para extorquir dinheiro a quem conseguir e completamente nas tintas para os filhos fez com que a sua filha mais velha, Fiona, tivesse de ocupar as rédeas de uma casa cheia de crianças visto que a mãe, Mónica, desapareceu do mapa. 

Ora, numa família com 6 filhos que tiverem de aprender a se auto-governar, já pode pode começar a imaginar os desequilíbrios de cada um deles, certo? Sorte a dos miúdos que tinham uma irmã mais velha responsável que ajuda a compensar a ausência parental mas que, também ela, tem os seus próprios problemas. 
Para além de Fiona existe o Lip, um pequeno génio com muito mau feitio e uma grande paixão por mulheres e, estranhamente, por andar (ou levar) pancada. Segue-se o Ian, o irmão ruivo que é gay e finalmente consegue começar a assumir-se perante a família e amigos, tendo uma paixão por um vizinho que tem a mania que é badboy e muito macho (mas que, também ele, é gay). Debbie, a segunda rapariga do gangue Gallagher, uma miúda cheia de carácter que ajuda a irmã a governar a casa. Ainda existe o Carl, que é um pequeno terrorista e o Liam, o irmão mais novo ainda bebé que ainda não contribui muito para a história. 
Não é uma série com um enredo brutal, assassinatos e crimes por desvendar, nem uma comédia para se rir de cinco em cinco minutos. Não, é uma versão “cómica” e até mesmo sarcástica dos dramas que algumas famílias passam. Isto tudo, claro, passado num ambiente em que cada frase contém pelo menos um palavrão, mas que tem tão a ver com eles que ninguém leva a mal. Ah, e há sexo em praticamente todos os episódios (os Gallaghers são tipo coelhos!).

O que é mais surpreendente no “Shameless“, para mim, é perceber que são problemas reais. Que há mesmo famílias assim, nos EUA e um pouco por todo o mundo. Em que pais se estão nas tintas para os filhos e os fazem crescer num ambiente de vícios e desequilíbrios onde é quase 100% seguro que vão seguir as pegadas dos pais e tornar-se delinquentes. É ver famílias a tentar arranjar dinheiro para comer, semana após semana, e acabarem por comer restos. 

Mas é, também, perceber que nesses sítios, com esses problemas, as pessoas são unidas. Passam por tantas dificuldades que aprendem que a família (pelo menos aqueles que estão presentes para essas lutas do dia-a-dia) é o mais importante e a união faz a força. 

É, enfim, uma série que entretém do início ao fim, que faz rir, que faz pensar e que, no final, aquece o coração. O meu novo vício, e que bom que ele é…
 
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