Lovetography Living in B's Shoes Bárbara Bação

Antes de ir de férias, dei por mim a reflectir sobre o amor. O amor que, ao longo destes meus verdinhos 26 anos, só me despedaçou. Mas, como a altura não é para choradeiras, dei por mim a pensar sobre algo meio polémico: o Tinder.

Para quem não conhece, esta é uma “aplicação para conhecer pessoas”. Pelo menos, é isso que dizem as pessoas que estão inscritas nessa app que, para mim, serve para engatar pessoas. Não estou, de forma alguma, a censurar quem lá está e quem o usa para esse efeito. Cada um sabe de si e eu, para além de ter vários amigos que usam frequentemente essa app, também já a instalei para confirmar se um ex-namorado meu lá estava (e sim, lá estava ele para meu grande desgosto).

E foi quando a instalei, numas breves 24 horas, que me apercebi que uma GRANDE parte dos meus amigos e conhecidos, incluindo aqueles com namorada há anos e que parecem super felizes nas suas relações, andam por lá. Não sei se para alimentar o seu ego ou, verdade nua e a crua, porque uma só mulher não lhes chega. “Para quê comer todos os dias carne se também posso comer peixe?”, dizem muitos deles, o que me faz quase bolsar com o nojo. Mas adiante…

Outra das verdades nuas e cruas que o Tinder me fez ver é que aquilo é um catálogo de pessoas com quem queremos, ou não, ir para a cama. E, a sério, o quão fútil e ridícula é a nossa sociedade onde já se criam catálogos de pessoas para engatar? Não consigo compreender… Passar uma foto para um lado se achar a pessoa gira, passar para o outro se o achar feio. Sim, são catálogos de pessoas pela sua aparência, única e exclusivamente. Se estivessem no Tinder para fazer amigos e conhecer, genuinamente e apenas, pessoas, não era pela aparência física que iriam fazer os swipes. Mas isto é a minha interpretação das coisas,

Não acho que ninguém esteja no Tinder à procura do amor da sua vida ou de uma relação estável. Acho que, quem ali está, sabe para o que vai – para servir de carne para canhão e saciar algumas necessidades sexuais que possa ter. Isto porque as pessoas conhecem-se na rua, no dia-a-dia, em situações do cara-a-cara. Conhecem-se porque são amigos de amigos, porque são colegas de trabalho, porque trocaram olhares numa noite e sentiram ali uma faísca qualquer.

Estamos mesmo a trocar tudo pelo digital, e o pior é que não há nada como um abraço apertado, como um beijo roubado, como uma conversa pela noite fora, como um passeio de mãos dadas. Não há nada como o encanto de conhecer alguém pelo que é na vida real, e não por aquilo que se esconde em fotos editadas em Photoshop e pelas frases inspiracionais que nem sequer são nossas. E, mais uma vez, contra mim falo. As minhas redes sociais não me definem como pessoa. Eu não sou aquilo que está nas fotografias, porque essas são escolhidas a dedo. Eu sou MUITO mais do que isso – sou tudo aquilo que só mostro pessoalmente. O meu caos e a minha paz não se vê num catálogo de pessoas, vê-se pelo contacto pessoal e diário. Tão simples quanto isso.

Só posso concluir este desabafo pensando no quão injusto seria se o grande amor da minha vida visse uma fotografia minha no Tinder e fizesse swipe para o lado errado, simplesmente porque eu não fiquei tão bem para ele naquela fotografia, ou simplesmente porque a miúda que passou antes de mim é mais gira.

To Tinder or Not To Tinder… that is the question…