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Mulheres – não há quem nos compreenda. E podia dizer que é apenas um problema da minha geração, mas não me parece que o seja. Sem generalizar demasiado, porque há sempre excepções à regra, às vezes dou por mim a pensar neste dilema que existe desde sempre entre o homem bad boy e o bonzinho. Porque é que o bad boy ganha sempre, e o certinho fica na friendzone (aquele lugar mítico onde colocamos os nossos amigos homens que são sempre tão boas pessoas mas que, por algum motivo, nunca passam de amigos aos nossos olhos)?

Referindo-me àquilo que conheço – da minha própria experiência e observando as minhas amigas mais próximas – posso muito bem dizer que somos umas perfeitas idiotas. Só assim, idiotas. Ponham-me 10 homens à frente, em que 9 se enquadram no perfil do certinho e 1 é o bad boy. Adivinhem por qual me vou interessar? Exacto, esse mesmo. E não é que não tenha tido más experiências no passado com esta tipologia de homem (que, aproveito para referir, parece que hoje em dia é a maioria) mas, por algum motivo que me ultrapassa, a atracção recai sempre no mesmo: o gingão, o que tem muita lábia, o que sai à noite todos os fins-de-semana, o que adora beber copos e meter-se com gajas, o que sabe o que é e o que vale e, por isso, está-se nas tintas e vai com tudo o que tem. Aquele que é rebelde mas que, bem cá no fundo, temos a esperança de que, caso se apaixone por nós, consigamos domar a fera – mesmo que tudo aponte para o facto de ele ser um bicho que nunca vai ser amestrado.

Faz-me lembrar um pouco a história do filme “Diário de Bridget Jones” em que a Bridget (encarnando um estereótipo de mulher que, sem pertencer às encanzeladas/boazonas, tem um charme muito especial e que nos ensina que, mesmo não sendo top models, podemos encontrar quem goste de nós assim mesmo) tem de escolher entre dois homens: o playboy Daniel Cleaver (Hugh Grant) e o senhor certinho Mark Darcy (Colin Firth). Claro está que, mesmo tendo a atenção dos dois, a parvinha ainda vai dar umas quantas cabeçadas na parede por causa do bad boy. 

Ele é aquele que demora horas para responder às mensagens, que desmarca encontros em cima da hora, que adiciona e faz likes em todas as gajas nas redes sociais (e quanto mais descascadas, melhor). Mas que, quando nos dá atenção, nos consegue fazer tremer e derreter. É o fogo e o gelo, e uma incerteza que nos deixa presas. É aquela pessoa que, mesmo numa discussão em que sabemos que temos razão (afinal, mulheres, não temos sempre razão?), consegue dar a volta ao jogo e quase que nos fazer pedir desculpa.
No fundo, o bad boy não é inatingível e, como qualquer outra pessoa, também se apaixona e também sente aquela necessidade de ter alguém ao seu lado, para partilhar os bons e maus momentos. Mas, bad boy que é bad boy, nunca perde essa sua chama e todas sabemos que, ao lado dele, nunca poderemos dormir descansadas. Que há sempre a hipótese de aquela rebeldia, aquela mesma que nos fez apaixonar por ele, ser a nossa perdição.
E cadê o certinho? Aquele que nos trata como verdadeiras princesas? Que sempre que precisámos de chorar por um otário qualquer que nos magoou, esteve sempre com o ombro lá para nós? Que tem os objectivos de vida bem definidos e dispensa as saídas à noite para ficar a estudar ou a fazer companhia à mãe? Aquele que tomamos por garantido porque achamos que é um bocado melga? No fundo, e vistas bem as coisas, o certinho reúne todas as características que queríamos que o “nosso” bad boy ganhasse ao nosso lado: a fidelidade, a cumplicidade, a segurança, a maturidade, a tranquilidade. Mas precisamos da luta, da garra, da paixão desenfreada e do não saber o que pode acontecer amanhã. E, por isso, deixamos os rebeldes vencer.

No fundo, parece que aquilo que todas queremos é precisamente isto: “Todas as mulheres querem um bad boy que seja bom apenas para ela”.