A quarentena terminou para alguns mas, para mim, continua a ser praticada. Na verdade, sempre gostei muito de estar em casa e de trabalhar a partir de casa. Permite-me rentabilizar muito mais os meus dias e fazer muito mais coisas do que quando passo quase 2 horas e meia em transportes públicos.

Entendo o desespero de muitos, ao serem confinados às suas casas mas, para mim, tem sido um período altamente produtivo e criativo. Aliás, espero que, de agora em diante, todas as empresas que o possam fazer, comecem a implementar o teletrabalho pelo menos metade da semana.

Mas este artigo de hoje serve para partilhar convosco uma reflexão que fiz sobre a quarentena. Afinal, o que foi que a quarentena me ensinou? Devemos sempre aprender com todas as situações. As melhores e as piores. E este período de isolamento social não é excepção.

Dei por mim a pensar precisamente nisso. Em tudo o que fiz nestes quase dois meses, e em tudo o que aprendi sobre mim, sobre a sociedade, sobre o futuro.

Coisas que a quarentena me ensinou

Que posso ser produtividade e criatividade pode estar em qualquer lado, desde que me saiba adaptar às situações. Um dos sítios onde costumava ser mais criativa era em cafés, sozinha. Punha os meus auriculares, ligava uma música relaxante e fazia um brainstorming ou começava a escrever. Havia qualquer coisa de estimulante naquele burburinho de fundo, das pessoas a chegarem e a saírem, da máquina de café a funcionar, das conversas entre amigos. Por estranho que pareça, talvez pelo facto de estar sozinha, conseguia produzir bastante bem.

Em casa, passei a fazer o mesmo. Liguei a música relaxante do costume, isolei-me e permiti-me deixar a criatividade fluir. Acabou por ser muito mais fácil do que pensava e, passados estes quase dois meses, já nem me imagino a ter de ir trabalhar para um café ou até mesmo para o escritório.

A nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Todos queríamos andar por aí na vadiagem. Nas esplanadas com os amigos a beber imperiais e comer tremoços, como se nada fosse. A repetir os jantares de grupo.  A circular como se nada estivesse a acontecer. Mas está. O mundo mudou. E este vírus veio provar-nos que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Estamos MESMO todos ligados. Por isso, por mim e pelos meus, por ti e pelos teus, todos devemos respeitar as medidas de segurança.

Que temos de apoiar a economia nacional. Este é um tema que tenho debatido muito com a minha família e com os meus amigos. Já todos sabíamos, na teoria, o quão importante é apoiarmos a nossa economia nacional, incluindo os negócios locais. Infelizmente, e falo por mim, o meu dinheiro custa muito a ganhar e há muitas contas para pagar. Quando tenho de comprar alguma coisa, opto pela que tem melhor relação qualidade-preço e, muitas vezes, apenas a que tem o melhor preço. Tenho de ser realista, se posso comprar um produto semelhante por 1€, porque vou gastar 10 vezes mais por ser uma marca portuguesa? É o caso deste vestido, que custa cerca de 18€ na Shein e que já vi marcas portuguesas com modelos parecidos a vender acima de 50€.

Este tem sido o meu pensamento nos últimos anos e confesso que ainda ando a batalhar com ele. Quero apoiar as marcas portuguesas, e vou fazê-lo sempre que estiver ao meu alcance financeiro. Mas espero que o Estado também reduza os impostos às empresas portuguesas, com os mesmos apoios que dá a empresários estrangeiros, para que possam baixar os seus preços e tornarem-se mais competitivos.

 

Vestido SheIn // Coisas que a quarentena me ensinouQue somos muito frágeis. Num momento estávamos a planear as férias de Verão, a combinar as roupas para os festivais de música e as próximas idas à praia. No outro estamos a contar o número de mortos. Brutal. Duro. Feroz. Verdadeiro. Este é o cenário que temos mas que, para mim, me mostrou o quão frágil somos. Andamos por aqui sempre confiantes de que as desgraças só acontecem aos outros. De que as guerras são coisa do passado. Que as “pestes negras” só aconteciam em épocas em que a higiene era outra. Oh, que ingénuos somos… Somos frágeis sim, frágeis demais. Hoje estamos aqui, amanhã podemos não estar. E que possamos nunca o esquecer, para darmos valor ao que temos.

Que nunca é tarde para fazer algo novo. Criei um site dedicado à Consultoria para Influenciadores de Digitais e pequenos negócios, escrevi um ebook e outro vem a caminho, fiz uma formação para mais de 50 pessoas, cozinhei pratos novos, comecei a correr e muito mais gostaria ainda de fazer. O que serve para dizer que nunca é mesmo tarde para fazermos coisas novas. Mais do que uma forma de manter a cabeça ocupada, é também uma forma de sanidade mental.

A quarentena, para mim, não terminou. Vou continuar a trabalhar a partir de casa o máximo de tempo que me for permitido. Devo-o a todos aqueles cuja profissão os obriga a estarem presencialmente num espaço. Felizmente, no meu caso, posso trabalhar em qualquer parte do mundo e, por isso, por todos, eu fico em casa. E este processo de aprendizagem vai continuar a evoluir e provavelmente ainda vou descobrir muito mais coisas. E tu, o que aprendeste esta quarentena?