Bárbara Bação Amor próprio ou conformismo

Vi um vídeo no Instagram da Anaísa Costa referente ao tema amor próprio e conformismo e, claro, tudo o que é relativamente polémico deixa-me sempre a pensar e com vontade de dar o ar de minha graça.

Se, por um lado, devemos ter amor próprio e nos devemos aceitar como somos, por outro lado isso não poderá levar ao conformismo? Eu, sinceramente, acho que sim. Vamos por partes…

Se eu me olhar ao espelho todas as manhãs e me sentir mais gordinha do que gostaria, devo aceitar-me assim? Se o meu cabelo não for nem liso nem encaracolado e mexer com a minha auto-estima, devo deixá-lo assim? Se o meu peito for descaído e isso me deixar super insegura, devo nunca procurar mudá-lo? Estas são apenas três perguntas, mas há tantas outras que poderíamos fazer cuja resposta, para mim, é óbvia: “não”.

Amor próprio ou conformismo?

Fazermos algo por nós próprios, ganharmos força para mudar aquilo que não gostamos em nós também é uma forma de amor próprio. Enquanto o fizermos por nós e não pelos outros, com pés e cabeça, procurarmos ser melhores só nos faz bem. Aceitarmos que, apesar de não gostarmos deste e outro aspecto do nosso corpo ou da nossa vida, as coisas são assim e temos de nos aceitar como somos pode ser, sem dúvida, um factor de conformismo.

Há uns meses estava a pesar pouco mais de 70 quilos. Estava inchada, sentia-me gordinha, sentia-me mal na minha própria pele. Quando me via ao espelho, estava longe de gostar daquilo que via. Por isso, decidi mudar. Progressivamente, a pouco e pouco. Em vez de me conformar com o meu corpo mais redondinho e que me fazia sentir mal, decidi fazer algo por mim. E isso é, também, amor próprio. Porque agora, embora ainda não esteja como quero, sinto-me muito melhor com o meu corpo. Sinto-me mais bonita, mais confiante. E fi-lo por mim, não para agradar ninguém.

Claro que se eu estivesse gordinha mas me sentisse bem como estava, não existira motivo para mudar (a menos que isso comprometesse a minha saúde, claro). No entanto, quando não nos sentimos bem, a maior prova de amor próprio que podemos ter é mudar. Não radicalmente, mas aos poucos, até chegarmos onde querermos.

Por isso, para mim, ver raparigas todas fit a apregoar o self love não é, de todo, uma ironia. Porque essas raparigas fit lutam pelo corpo que as faz sentir mais confiantes. Dedicam-se aos treinos, a uma alimentação saudável e a uma rotina que só lhes faz bem ao corpo e à alma, ao invés de se entregarem ao conformismo. São pessoas que pegaram em algo do seu corpo que não gostavam tanto e se esforçam todos os dias para melhorar. Para mim, são uma inspiração.

Self love não tem de ser aceitar o nosso corpo quando não nos sentimos bem nele. Self love é ter a coragem de sair da zona de conforto quando não estamos bem e fazermos um esforço pelos nossos objectivos, sejam eles físicos, psicológicos ou de que natureza for.

Amem-se, de dentro para fora. Prefiram a vossa saúde e o vosso bem-estar. Aceitem o que não pode ser mudado e trabalhem para mudar aquilo que vos deixa desconfortáveis.