A Helena Coelho na capa da Women’s Health e a auto-estima feminina

Muita tinta tem corrido por aí desde que a Helena Coelho saiu na capa da revista Women’s Health deste mês (Julho e Agosto 2020) numa forma física que não deixa ninguém indiferente. E numa altura em que as mulheres – e falo particularmente de mim própria – se sentem tão pressionadas a estar no apogeu do seu físico, entendo o porquê da polémica.

A Helena Coelho é uma criadora de conteúdos muito influente em Portugal e, nos últimos meses, tem mostrado diariamente o seu empenho no físico, com exercício e alimentação saudável. Ela tinha um objectivo – estar “perfeita” para a capa da revista, e não descansou enquanto não o conseguiu. E bem. Invejo a sua determinação porque sei o quão difícil é levar um plano destes avante. E sei porque nunca o consegui fazer – faltou-me sempre essa motivação que ela tem.

Por um lado, acho que é muito bonito aceitarmo-nos como somos, com todas as nossas curvas, estrias e celulite. Acima de tudo, que nos devemos sentir bem na nossa própria pele. Mas vamos ser realistas – poucas de nós nos sentimos assim. A sociedade (as novelas, os filmes da Disney, os filmes de Hollywood, as modelos Victoria Secrets, as publicidades das marcas, etc) impõe-nos uma imagem de corpo perfeito à qual é quase impossível de lá chegarmos. E atenção – não temos que querer chegar lá.

Mas eu quero. Eu gostava de me olhar ao espelho e gostar mais do meu corpo. Gostava que não tremesse tudo quando ando. Gostava de não ter badoxas nas ancas. Gostava de não ter tanta celulite. Gostava de voltar a ter a silhueta dos meus 18 anos. Mas estou realmente empenhada e comprometida com esse meu desejo? Não. Mas isso não me dá o direito de criticar quem se empenha por chegar lá, por se sentir ainda melhor no seu corpo.

Vale o que vale, mas respeito imenso mulheres como a Helena Coelho, que conseguem mudar o mindset e lutar pelos seus objectivos. E, pessoalmente, nem sou a maior fã da personalidade da rapariga, mas há que reconhecer que ela foi uma verdadeira inspiração e prova de que, quando temos um objectivo, só temos de mudar a mentalidade e ganhar a força de vontade para isso. Seja qual for o objectivo – perder 10 quilos, correr a maratona, ler 5 livros por mês, encontrar um novo emprego.

Por muito que a sociedade nos imponha um estereotipo de mulher perfeita, somos todos crescidinhos para pensar pelas nossas próprias cabeças. Temos de ter a maturidade emocional de decidir o que queremos fazer com isso. Deixamos que condicione a nossa vida? Aproveitamos o empurrão para nos melhorarmos, à luz daquilo que desejamos para nós próprios? Ou criticamos todos aqueles que, ao contrário de nós, tiveram a vontade e motivação para dar a volta?

Desde que tudo seja feito com consciência, peso e medida (e, claro, acompanhamento especializado), acho que todos devemos correr atrás daquilo que queremos. Eu olho para a capa da Women’s Health deste mês e, quando olho para a Helena Coelho antes e depois, só penso “Caramba, se ela consegue, porque é que eu não estou a conseguir?” e culpo-me a mim por não ter a força de vontade dela.

Não vamos criticar e apontar o dedo a quem decidiu sair da sua zona de conforto e fazer o que acha melhor para si. Nem vamos criticar quem se aceita como está. Cada um sabe de si, e Deus sabe de todos. No final, somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas, sejam elas boas ou más. Eu aplaudo de pé o espírito de sacrifício de todas as Helenas Coelho deste Portugal fora, e vejo-as como uma fonte de inspiração. Se as odeio um bocadinho por serem tão boazonas e eu continuar flácida que nem uma alforreca? Claro que sim, mas sei que, no fundo, esta raivazinha é direccionada contra mim mesma, que não encontro a força para fazer o mesmo.