2019, um ano e pêras

Dia 1 de Janeiro de 2019, antes das quatro da manhã, estava a vomitar. Podia dizer-vos que sou uma rebelde e que apanhei uma bebedeira descomunal, mas não. Jantei com os meus pais, esperei pelas 12 badaladas e deitei-me a seguir. Acordei a meio da noite assim, doente. E continuei por alguns dias. Um mau presságio, portanto. Um mês e meio depois, passei por um momento muito difícil a nível emocional e amoroso, que me fez atirar a toalha ao chão. “2019 já deu o que tinha a dar, mandem vir 2020 que daqui já não há nada de bom”, dizia eu à minha melhor amiga, num desespero que quase me consumiu.

A partir de Abril, o ano começou a dar a volta. Deu-se a primeira viagem do ano, a Madrid, onde tive oportunidade de conhecer pessoas espectaculares que acabaram por se tornar bons amigos. Seguiu-se a renovação do meu contrato profissional. Passei a integrar os quadros desta empresa que abracei como minha e que todos os dias me ensina tantas coisas novas e tanto me tem permitido crescer e evoluir. Antes dos 30 ainda tive oportunidade de pisar um novo continente e concretizar um sonho: visitar a Tailândia. Ainda tive mais uma paragem em Espanha, Macau, China, Dubai e Abu Dhabi, tudo no espaço de poucos meses. Uma canseira (quem faz voos de longa duração sabe bem o drama), mas uma gratificação que não consigo descrever.

Adoptei dois coelhos, o Vasco e o Oreo, que são as coisas mais fofas deste mundo. Desde que fiquei sem a Lucy, há dois anos, que não pensei voltar a ter animais de estimação mas estes dois bichinhos chegaram e conquistaram-me logo. Ainda estou a aprender a lidar com as especificidades dos coelhos, mas aos poucos vou chegando lá.

E, o mais importante, comprei uma casa. Já pensava nisso há alguns anos, mas foi só este Verão que me fez o clique. E como sou uma velha casmurra quando ponho algo na cabeça, não descansei enquanto não visitei umas 30 casas, me apaixonei por umas 5 e me decidi por 1. Seguiram-se semanas de profunda ansiedade, porque tomei a decisão de fazer obras para aumentar as divisões. E, inexperiente na matéria, estava longe de saber que as obras davam tantas chatices e se atrasavam tanto. Felizmente, tudo se compôs e acabou por ficar pronto antes do Natal, mesmo como tinha planeado. Tive o apoio incansável da minha mãe e do meu namorado, bem como do resto da minha família e dos meus amigos. Hoje, já vos escrevo este artigo da minha casinha, feliz, contente e muito grata por esta conquista.

2019 foi mesmo um ano e pêras. Um ano, acima de tudo, que me ensinou que a vida dá a volta. Que mesmo quando nos sentimos no fundo do poço, há algo que se encarrega de nos trazer ao de cima. Que o que nos é destinado, nos aparecerá, desde que saibamos estar prontos para o receber e lutar por ele.

Ah, 2019… Pregaste-me um belo susto, mas compensaste tão bem. Não sei como será 2020, mas sei que vou continuar a trabalhar para que seja um ano em cheio, repleto de momentos felizes, de novas conquistas, de novas superações.

Vem, 2020. Estou preparada para ti!