Quinta das Murtas Sintra

Este ano, o Dia dos Namorados calhou a uma terça-feira. Não só por ter sido durante a semana, como também pelo facto de nem eu nem o fofinho celebrarmos essa data à séria, decidimos não fazer nada nesse dia. No entanto, consegui que trocasse os turnos do fim-de-semana seguinte de modo a podermos namorar um bocadinho num dos sítios que mais gosto – Sintra.

A Quinta das Murtas, em Sintra, foi o local escolhido para passarmos o fim-de-semana e contou ainda com um jantar romântico. O único problema? É que sabe sempre a pouco quando estamos com a pessoa de quem gostamos e quando estamos num sítio assim.

O jantar

Saímos de Lisboa com a direcção da Quinta das Murtas no GPS. Num final de tarde sábado sem trânsito, chegámos rapidamente ao destino. Sendo já de noite, não conseguimos aperceber-nos da fachada do edifício, nem do jardim.

Eu entrei na Quinta das Murtas e ele ficou no carro, até sabermos como funcionava o estacionamento no espaço. Assim que abri a porta, deparei-me com um cenário diferente. Senti como se tivesse viajado no tempo e voltado atrás uns séculos. Aqui, neste palacete do século XIX, tudo ficou bem conservado. Em cima de uma mesa, encontrava-se um quadro de ardósia com a indicação de agitarmos o sino. Foi o que fiz e, em segundos, apareceu um senhor super simpático que, em menos de nada, me deu a conhecer o espaço e me encaminhou ao quarto. Deu-me a chave e indicou-nos o estacionamento.

Depois, enquanto que ele estacionava o quarto, eu ia-me despachando e tomando banho. Estávamos os dois cheios de fome e ansiosos pelo jantar. Quanto a mim, seria a única facadinha que poderia dar na Dieta dos 3 Passos que estou a fazer, pelo que a ia aproveitar ao máximo.

Quinta das Murtas SintraPouco passava das 20h00 quando descemos até à sala de refeições. Um espaço amplo, rodeado por uma “parede” de vidro, que permite ver tudo o que se passa lá fora, naquele jardim. A decoração temática, felizmente, ficou no QB (há sempre o risco de se entrar na “pirosada” quando são estas datas festivas).
Quinta das Murtas SintraFomos encaminhados para a nossa mesa, bem junto à janela, numa das extremidades para termos a nossa privacidade. Como podem ver, eu estava bem contentinha (e cheia de fome, também). Serviram-nos de imediato um welcome drink. Algo espumante e com sabor a pêssego, que bebemos num instante enquanto provávamos as entradas: um folhado de queijo de cabra com mel e nozes e um paté. Quinta das Murtas Sintra De seguida, a sopa. Um creme delicioso que ajudou a preparar o estômago para a refeição que vinha a seguir.
Quinta das Murtas SintraServiram-nos assim um delicioso prato de bacalhau com natas. Depois de tudo o que comemos antes, e agora que me estou a habituar a comer em menos quantidade, deixei um pouco no prato. Mas estava muito saboroso, especialmente a parte com o queijo derretido (sempre a minha perdição). Quinta das Murtas SintraTerminámos com um cheesecake de frutos vermelhos, acompanhado de uns mini brigadeiros. O empratamento era temático, com um amoroso coração desenhado em contraste com a canela em pó. Eu pensava que não gostava de cheesecake e, por isso, ia já com a ideia de dar ao fofinho a minha sobremesa. Mas ele desafiou-me a provar, mesmo sabendo que não gosto de bolos e sobremesas no geral. Foi a pior ideia de sempre! Acontece que o cheesecake é uma coisa deliciosa e eu devorei-o quase todo! Preferia continuar a achar que não gostava da coisa, para que não voltasse a comer.

Posto isto, e quase duas horas de boa comida e de uma conversa ainda melhor, voltámos para o quarto. Estávamos cheios e felizes, e nem tivemos vontade de ir beber um copo à rua.

O quarto

Quinta das Murtas SintraFicámos alojados no quarto 34, no terceiro andar. Para lá chegar, só mesmo de escadas – todas forradas com a mesma carpete que, depois, encaminha pelo corredor dos andares. Quinta das Murtas SintraQuinta das Murtas SintraO nosso quarto tinha sido restaurado à pouco tempo, por isso o cheiro a tinta ainda se sentia. A primeira coisa que sentimos quando entrámos no quarto é que estava quente. Um quente bom, de quem saiu do exterior onde está o frio típico de Sintra. Não é um quarto gigante. É modesto mas muito acolhedor. Sou suspeita, porque gosto muito dos tons claros e este está pintado em tons de branco e cinzento. A pintura por cima da cama dá-lhe um ar diferente e original e imagino-me a fazer algo semelhante em minha casa (mas deixemos os DIY para depois). Ao lado da cama temos duas prateleiras de pedra, com desenhos de flores, mesmo por baixo dos candeeiros de leitura.

Quanto à casa de banho, também se notava o restauro. Destaco o facto de ter poliban, e não banheira, e um secador de cabelo. Pode parecer fútil mas, como me esqueci do meu, entrei em pânico quando me lembrei que ia para um palacete do século XIX e que poderia não ter. Felizmente, no quarto, a história interage com a modernidade como deve ser, para que nada nos falte.

A Quinta das Murtas – o interior

O interior da Quinta das Murtas é qualquer coisa de fantástico. Adorei cada detalhe. Os candeeiros, o chão, as molduras, as cadeiras, as mesas, os sofás, os jarros, o papel de parede, and so on.

Quinta das Murtas Sintra Esta era a sala onde íamos buscar o pequeno-almoço. Comi um pão de sementes com fiambre e queijo, acompanhado de um chá. Já o fofinho comeu ovos mexidos, iogurte com cereais, pão de queijo e fruta. Há diversidade suficiente para todos os gostos. Quinta das Murtas SintraE depois há cantinhos destes, bem junto à janela, para refeições a dois. Quinta das Murtas SintraDe dia, a sala de refeições ganha outro encanto. Afinal, há um jardim lá fora com um cão (que o conseguem ver a espreitar na janela), papagaios e uma caturra!Quinta das Murtas SintraEste cantinho encontra-se na sala de estar – uma zona comum da Quinta das Murtas. Esta foi a zona interior que mais gostei na Quinta, e onde encontrei mais detalhes históricos. Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas Sintra

O exterior

O exterior da Quinta das Murtas tem muito que se lhe diga. Infelizmente, apanhámos a fachada numa altura de restauro, sendo possível encontrar alguns andaimes. Ainda assim, não foi o suficiente para quebrar a magia que se sente neste espaço, rodeado pelo verde da Serra de Sintra, silenciado pela tranquilidade da Natureza.

Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas SintraHá uma piscina ao ar livre que, nesta altura do ano, não está disponível para mergulhos. Mas há uma zona de “spa”, onde encontramos uma espécie de jacuzzi. Eu e o fofinho ficámos logo com ideias de arranjar um do género para pôr na casa dele, acompanhado de umas espreguiçadeiras para aproveitar o sol. Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas Sintra Quinta das Murtas SintraEstão a ver estas cadeiras brancas? Pertencem aos pequenos apartamentos da Quinta das Murtas, que acomodam até 4 adultos. Perfeitos para famílias que queiram ficar juntas. Para além disso, em vez de ficarem no edifício principal, ficam no jardim, com vista privilegiada, mesmo em frente ao lago. Quinta das Murtas SintraQuinta das Murtas Sintra

Conclusão

Apesar de a imaginar mais como um espaço romântico – tal como toda a Sintra, no geral – a Quinta das Murtas é, pela sua localização privilegiada, pelo seu exterior verde envolvente e pelo seu interior tão bem conservado, uma sugestão de hospedagem obrigatória para quem procura um local onde ficar em Sintra. Seja para uma escapadinha de fim-de-semana, seja para uma estadia de mais tempo.

A simpatia do staff esteve presente em todos os momentos de interacção. O pequeno-almoço é completo e versátil. O wi-fi está disponível em qualquer local do espaço. A localização é privilegiada. Há trilhos pedestres a poucos minutos da Quinta das Murtas, bem como as principais atracções da zona.

Em Sintra, que é dos meus destinos de passeio de eleição, há um espaço com um encanto único. A Quinta das Murtas deixou a vontade de regressar quando o calor apertar e de levar a pequenina, que vai adorar os papagaios e a caturra, dar mergulhos na piscina, brincar no jardim e ver os sapos a saltar no lago.