Passar Tempo Sozinha Bárbara Bação Living in Bs Shoes

Lembro-me de, na altura do secundário, contar os minutos para ir sair com as minhas amigas e de só gostar de estar na rua com elas. Sempre fui, desde pequena, uma pessoa que se dá bem com pessoas e que faz novos amigos facilmente. No entanto, com o passar dos anos e com os ensinamentos da vida, mudei um pouco nesse aspecto.

Continuo a gostar de (algumas) pessoas, mas gosto cada vez mais da minha companhia. Quando saí de casa dos meus pais e fui morar com o meu irmão, estava quase sempre sozinha. Ele estudava e treinava até tarde, por isso raramente estávamos juntos. O meu namorado da altura também não fazia lá grande coisa, por isso, como estava desempregada, aprendi a estar sozinha e em paz. O meu espaço, o meu sossego, o meu ritmo.

Depois voltei ao trabalho. Tinha de levar com multidões nos transportes públicos (ainda por cima com pessoas que não conhecem a palavra “desodorizante” e que teimam em levantar o braço no metro), com pessoas com feitios complicados no trabalho e, por vezes, fazer fretes com pessoal em jantares de amigos e conhecidos (só na parte dos conhecidos, of course).

Desde então, percebi que estar sozinha não é sinónimo de estar só. Estar sozinha é um luxo.

Ler um livro sossegada num café enquanto bebo um sumo delicioso. Ir às compras e parar só nas lojas que eu quero. Dar um passeio com os auriculares nos ouvidos e a música no máximo (não sigam o meu exemplo porque faz um mal terrível aos tímpanos). Refastelar-me no sofá e ver a série/filme que eu quiser, enquanto devoro uma pizza suculenta e mega calórica (para depois ir-me deitar empaturrada e com uma enorme sensação de culpa). Ir à praia ao meu ritmo e mergulhar quando me apetece. Encher a banheira de espuma, acender umas velas e relaxar. Sei lá… há tanta coisa maravilhosa para fazermos sozinhos e nos abstrairmos de tudo e de todos (mesmo daqueles que amamos, sim). Termos tempo de qualidade para nós é simplesmente maravilhoso.

Não interpretem mal. Eu adoro a minha família, o meu namorado, a minha enteada e os meus amigos. Adoro-os mesmo. Mas também preciso de tempo para mim. Sem ter de fazer conversa quando me apetece ficar calada. Sem partilhar o comando da televisão. Sem nada. Só eu, os meus pensamentos, o meu mundo.

Gosto tanto disto, e faz-me tão bem, que estou seriamente a pensar passar, pela primeira vez, o meu aniversário sozinha (que é já no próximo mês). Como costuma correr sempre mal quando o passo com pessoas, ao menos se o passar sozinha não me vou desiludir com ninguém, certo? Resta só decidir os planos para esse dia (e todas as sugestões serão muito bem aceites).