Hoje celebra-se o Dia do Pai. Ao invés de fazer uma declaração pública ao meu pai, quero fazê-lo aos três pais que existem na minha vida.

Ao meu pai

Dia_do_PaiAcima de qualquer outro, o meu pai. Velhote rezingão, com um feitio casmurro como só ele. Mas o meu pai foi o meu primeiro grande amor. Aliás, como o é para qualquer menina. Há muito mais no meu pai do que o feitio teimoso dele. O meu pai é um homem extremamente inteligente. Talvez se tenha esquecido disso ao longo dos anos, mas tem uma cultura gigante. É um mestre na cozinha, embora raramente decida inovar. Sabe resolver quase tudo em casa, mesmo que quase nunca o faça. Diz piadas que nos fazem engolir em seco e diz outras que nos fazem mesmo rir. À gargalhada. Ás vezes dá-me conta do juízo, mas é junto dele que me sinto em casa. A vida poderia correr-me do avesso, mas o meu pai estaria sempre lá para mim. Para o melhor e para o pior. Porque o meu pai ralha quando tem de ralhar. Porque ser pai é isso mesmo – saber dizer que não. Mas ele soube fazê-lo com distinção em toda a minha vida: encher-me de mimos e de disciplina, para eu perceber que há lugar para tudo nesta vida, basta que tenhamos as prioridades bem definidas. Acho que lhe falhei por não ter seguido matemática. Por muitas horas que tivesse perdido a tentar ensinar-me e dar-me na cabeça com a tabuada, não lhe serviu de nada. Desculpa, paizinho, mas eu nasci mesmo foi para crescer. E para te amar, também.

Ao meu avô

DIa_do_Pai_AvoO meu avô paterno é o meu segundo amor. Tenho-o vivo ainda e espero que por muitos anos. Porque ele não é só um super avô. É o meu avô Manecas. E o meu Manecas é um homem como já não se faz. É meigo, trabalhador, dedicado e brincalhão. Quer-se rodear de família e amigos em redor de uma mesa farta. Aprecia as pequenas coisas da vida e, para ele, isso basta-lhe. Um beijinho na careca. Um telefonema de manhã a caminho do trabalho. O relembrar os tempos em que me levava para a sua oficina e eu, ao seu lado, pegava nos martelos e em tábuas de madeira e fazia as minhas construções. Sabem, o meu avô Manecas é carpinteiro e construiu-me um baloiço quando era miúda. Deixa-me andar pela oficina como se fosse minha e até me deixava pintar os muros com giz colorido. Desde pequena que adoro estar ao lado do meu avô. Hoje já não faço construções de madeira, mas ainda lhe desenho peças para ele construir. E ele constrói-as à minha medida, todo contente e cheio de orgulho. Mal sabe ele que o orgulho é todo meu.

Ao futuro pai dos meus filhos

Ilha Saona Republica DominicanaO último pai da minha vida é o Pedro. Ainda não é pai de um filho meu, mas espero que o venha a ser. Porque se ele é bom homem e companheiro, ainda é melhor pai. Nunca vi um homem trabalhar tanto e ainda assim, quase sem dormir, estar sempre ao lado da sua filha. Mesmo sem saber toda a matéria da escola, fala com os seus explicadores para aprender e, também ele, lhe poder ensinar. Que sabe ralhar e impor limites quando tem de ser, mas que também sabe mimar na altura certa. Que é capaz de ensinar a nadar, a andar de bicicleta, de patins ou de hoverboard. Para mim, um bom pai é isto mesmo. Não poderia pedir nada mais para um filho meu que não um homem que coloque as necessidades da sua filha acima dos seus próprios caprichos, desejos e necessidades.

Aos três pais da minha vida, um enorme AMO-VOS.