Bombeiros

É triste. Devastador e assustador.

Todos os anos assistimos a quilómetros e quilómetros de áreas ardidas mas, desta vez, apelou-nos mais ao coração. Mais de sessenta pessoas mortas nesta terrível tragédia que nos volta a lembrar que a mãe Natureza é quem manda por aqui. No entanto, é também um abrir de olhos para todos nós.

Primeiro, coloca-nos na posição de reflectir sobre o que podemos todos fazer para evitar que este tipo de situações se repitam ano após ano. Que se deixem de ver aldeias e terrenos a arder e um país inteiro a sofrer. Torna-se cada vez mais imperativo que sejam discutidas e tomadas medidas de prevenção. Por exemplo, que sejam agravadas as penas para quem ateia fogos e se quer colocar no lugar da Natureza.

Segundo, e pelo menos a mim, este choque fez-me mais uma vez perceber o quão efémera é esta vida. Em menos de nada, e sem aviso, mais de sessenta pessoas foram reduzidas a cinzas. Neste momento, em Pedrogão Grande não me faz sentido falar das propriedades e dos bens que arderam (e já lá vão mais de 30 mil hectares ardidos). Para aqueles que sobreviveram e viram as suas habitações desaparecer no fogo, não consigo imaginar o que estão a sentir. Mas muito menos consigo imaginar aqueles que perderam os seus entes queridos nesta tragédia. É revoltante. Sentimo-nos impotentes perante a Natureza e perante aquilo que é capaz. É no mínimo aterrador.

Sim, fui à praia nestes dias e vivi a minha vida de quem não esteve lá e sentiu aquela dor. Mas apercebi-me que me dói também a mim. Está a doer-me desde que li a primeira notícia. Vemos inúmeros mortos e desastres em todo o mundo mas quando toca ao nosso país, quando é mesmo aqui ao lado, acho que é impossível ser indiferente. Não consegui parar de ler notícias e de querer saber se foram encontrando os vários desaparecidos. Infelizmente as notícias não têm sido boas, e o número de mortos continua a aumentar.

Foda-se. Já chega. Já chega de vermos os mesmos erros acontecer todos os anos. Até quando vamos deixar Portugal arder? Sem querer entrar em teorias da conspiração, mas será tudo isto só mesmo obra da Natureza? Ou ela só potencia aquilo que é o Homem a causar?

Realmente fez-me pensar no quão pequeninos somos e no quão rápido tudo pode desaparecer. Em segundos podemos ficar reduzidos a cinzas ou perder tudo aquilo que temos num incêndio. Sem aviso, a vida pode tirar-nos aqueles que nos são mais importantes. Perdemos tanto tempo em discussões sem sentido, a sofrer por antecipação e a deixar de viver. Temos de viver a pensar no futuro, mas temos de saber viver a vida agora. Não devemos deixar nada – pelo menos bom – por dizer. Que enchamos as pessoas que amamos das palavras que sentimos e dos gestos que elas merecem. Sabe Deus quanto tempo as iremos ter ao nosso lado, e devemos amá-las todos os dias. E devemos viver todos os dias. A vida é agora.

Terceiro, um reconhecer do esforço, dedicação, coragem e bravura dos bombeiros. Não há palavras para descrever estes seres humanos, que estão na linha da frente para salvar tudo e todos sem os meios devidos e necessários. Mal dormem, são mal remunerados e são só lembrados nesta altura do ano. Só no Verão abrimos os olhos para ver os seus actos heroicos que, no entanto, não param. 365 dias por ano eles estão lá, a dar o litro por todos nós. Um grande bem haja para eles. Todos os anos lhes ganho mais respeito e desejo, do fundo do coração, que se arranjem fundos que financiem devidamente estes heróis. Custa-me pensar como jogadores de futebol ganham milhões por mês, e pessoas que salvam vidas recebem migalhas e esmolas.

E por todos os bombeiros que estão a dar a vida para salvar as pessoas, os animais, os terrenos e as casas de todos nós, partilho alguma informação que fui recolhendo de como podemos ajudar!

Podem (e devem) ligar aos quartel de bombeiros mais próximo da vossa área de residência e perguntarem o que estão mais a precisar. Podem ser compressas, águas, fruta facilmente descascável, barras energéticas, e por aí fora. Importa perceberem o que está a fazer realmente falta.

Podem também contribuir monetariamente para:

CONTA SOLIDÁRIA CAIXA – IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42

Linha Solidária RTP: 760 200 600

Linha Solidária SIC: 760 100 100

Se souberem outras formas de ajudar os bombeiros e as vítimas de Pedrógão Grande, por favor comentem para que possa ir actualizando este artigo.