Yasmin

Portugal acordou agora para os efeitos secundários da pílula feminina e muitas mulheres – como eu – começaram a perceber que, se calhar, as vantagens deste método contraceptivo não justificam os riscos. Não sei quanto a vocês, mas eu tenho a minha opinião formada sobre este assunto, e gostava de partilhar convosco e que me dessem a vossa nos comentários.

Vamos pôr os pontos nos is. É claro que cada medicamento que tomemos tem riscos e tem efeitos secundários, e todos eles estão descritos da bula que nós, na grande maioria das vezes, nem lemos. Ou, quando lemos, achamos “isto é demasiado exagerado, se acontecer a alguém é a 1 em 1 milhão”. Até aqui, erro nosso. Ou desleixo, ou despreocupação, como quiserem chamar. E ainda há outro factor: há pessoas e organismos mais intolerantes a certos componentes de certas medicações do que outros.

Por outro lado, e estou a falar do meu caso em específico, quando tinha cerca de 15 anos foi-me diagnosticado um desregulamento hormonal e, para pôr tudo a funcionar novamente, o meu médico receitou-me, na altura, a Diane35 e um outro medicamento qualquer cujo nome não me recordo. Soube, pela história da Carolina que faleceu com uma embolia pulmonar provavelmente resultado da Yasmin, que a Diane35 foi retirada do mercado pelos seus efeitos secundários elevados, que incluíam grandes riscos de trombose, por exemplo. Poucos anos depois, o médico pediu-me para trocar para a Yasmin que, tal como a Diane35, é considerada uma das pílulas da nova geração. Mantive-me com a Yasmin até há três meses atrás (e deixei de tomar por opção própria, ainda antes de saber a polémica que estava a ser levantada).

Confesso que nunca tive qualquer problema com a Yasmin, e tomei-a mais de sete anos. E, durante esses mesmos sete anos, reconheço que nunca prestei atenção à sua bula. Sim, sabia que tinha efeitos secundários, mas simplesmente pensei que era daquelas coisas que nunca acontece, nem nunca associei nada do que ali estava à morte.

Mas este post surge depois de ter lido uma segunda notícia, narrada na primeira pessoa, da Sílvia Silva, que teve uma Trombose Venosa Profunda mas que, felizmente, percebeu os sintomas a tempo de evitar o pior. E, o que lhe aconteceu, pelo que lhe foi dito, poderia ter acontecido a 1 em cada 10.000 mulheres. São muitas mulheres, eu sei, mas acontece. E pode acontecer-nos a nós, porque em nada somos diferentes dos outros. Numa das reportagens que fala na morte da Carolina, a bailarina de 22 anos perfeitamente saudável que morreu de embolia pulmonar, também há dados que preocupam: 

No Canadá, suspeita-se que 23 mulheres tenham morrido depois de tomarem a pílula Yasmin. Um estudo da agência norte-americana do medicamento, que abrangeu mais de 800 mil mulheres, concluiu que estes medicamentos aumentam o risco de coágulos sanguíneos em maior proporção que os contracetivos orais mais antigos.”. Não sei quanto a vocês mas, para mim, estes são dados que intimidam.

No caso da Sílvia, a pílula (Yasmin) pode ter sido o principal factor do que lhe aconteceu, pílula que também fora o seu ginecologista a recomendar. Agora digo eu… Se vamos a um médico especialista que nos recomenda um medicamento, seja ele qual for, chegamos à farmácia com uma receita e compramos sem hesitar, certo? Porque o médico, supostamente, é perito naquilo que faz e, se nos diz para tomar determinado medicamento, é porque sabe que não lhe somos intolerantes ou que não nos irá fazer mal. Possivelmente porque nos fez análises e sabe qual é o melhor medicamento para nós, para evitar situações catastróficas. Claro que isto (quase) nunca acontece: o vosso médico pediu-vos análises específicas antes de vos receitar qualquer pílula? Para saber, para o vosso organismo, qual a pílula que vos trará menos riscos secundários? O meu não, pelo menos, e se calhar a falha foi minha por não ter pedido análises específicas, mas estava longe de saber as consequências que um medicamento tão pequenino podia ter no meu organismo.

É a minha perspectiva e a minha experiência da coisa, embora também esteja ciente que temos de ser responsáveis pelas nossas escolhas e temos de saber ler as bulas e tudo mais. Para além disso, se alguém me disser para eu me atirar de uma ponte, não o vou fazer, por isso não tenho de tomar aquela pílula se não me sentir confiante porque não gostei do que li na bula. Bem, este será sempre o drama com qualquer medicamento, até um simples para as dores de cabeça. Para mim, a gravidade maior está que a pílula é algo que se toma todos os dias, anos e anos a fio.

Em Portugal há sete casos notificados no sistema de farmacovigilância relacionados com a pílula Yasmin, sendo um deles de morte. Na base de dados de vigilância europeia, só nos últimos quatro anos, há registo de 878 casos, 43 dos quais de morte” (TVI)

Portanto, e com base em todos estes dados e casos que tenho lido e visto, uma coisa é cerca: quando precisar de tomar novamente um contraceptivo, irei analisar muito bem todos os outros métodos, e muito provavelmente deixarei a pílula de fora da equação. Há outros métodos contraceptivos, provavelmente com muito menos riscos para a nossa saúde do que a toma da pílula. E, por isso, vale a pena reflectir: justifica-se, realmente, o risco que corremos?