México Chichen Itza

Como já devem ter percebido pelo meu nível de excitação, tive as férias da minha vida com a minha melhor amiga, no México. Comprámos, através da Abreu, um pacote que incluiu o voo pela TAP até Madrid, a estadia por lá uma noite com transfer entre o aeroporto e o hotel (e vice versa), o voo pela Evelop de Madrid até Cancun, com transfer até ao hotel na Riviera Maya, e estadia em regime de tudo incluído no hotel Catalonia Yucatan.

O preço aproximado foi de cerca de 1200 euros e sim, eu sei que não foi barato mas, na verdade, mesmo sabendo que em Maio conseguia preços mais acessíveis, a verdade é que estava numa fase de rutura na minha vida em que precisava desesperadamente de fazer uma pausa. Os meus pais chegavam ao ponto de dizer que eu estava doente, tal era a minha cara pálida, cheia de borbulhas do stress e olheiras até ao queixo, sempre a 300 à hora. Precisava de abrandar, de respirar fundo e alhear-me da minha realidade, com a pessoa que mais capacidade tem para me acalmar e completar – a minha melhor amiga. Não pensámos duas vezes e, assim que tivemos a aprovação dos nossos chefes, comprámos a viagem com cerca de um mês de antecedência.

Começou a contagem decrescente – o fazer as malas, o planear, escrever e fotografar os artigos todos para a minha ausência, o descobrir que locais visitar, o despachar o máximo possível no trabalho para que nada falhasse. E finalmente chegou o dia! Apesar de no primeiro dia em que lá chegámos termos apanhado chuva – com um calor de 30º, que nem nos demoveu da praia, nos dias seguintes alugámos um carro e fomos à descoberta.

Foi dentro do hotel que decidimos alugar um carro. Por 70 dólares por dia, conseguimos o modelo mais barato, que incluía já ar condicionado (uma característica fundamental se quiserem alugar carro no México). Como alugámos por 3 dias, foi-nos feito um pequeno desconto e, perto das 10h00, seguimos rumo a Chichen Itza. Para evitar auto-estradas, seguimos sempre em direcção a Tulum, com tudo super bem identificado, e as estradas em condições. Resumidamente, seguimos pela Estrada 307 e, em Tulum, trocámos para a 180. Foi estranho ao início, porque estas vias, que parecem auto-estradas, têm várias zonas para fazer inversão de sentido. E, chegando a aldeias, é preciso ter MUITO cuidado com as lombas – que parecem verdadeiras dunas e destroem o carro se não forem mesmo muito devagar. Outro aspecto curioso é que há “casinhas” da polícia frequentemente a aparecer na estrada, mas nunca fomos abordadas.

Parámos a meio do caminho quando nos apercebemos que estávamos no sentido errado e pedimos indicações. 3 horas depois da partida, chegámos finalmente a Chichen Itza. Ainda antes de entrarmos, decidimos ir comer porque estávamos cheeeeias de fome. E, por 4 euros cada uma, comemos um belo prato de frango assado, acompanhado de arroz e salada, e uma coca-cola. Um preço bastante simpático, conseguido na aldeola mesmo junto a  Chichen Itza.

México Chichen ItzaChichen Itza… Começou pela fila para comprar bilhetes, e pela quantidade de guias turísticos a quererem vender-nos tours. Eles são chatos como tudo, mas rejeitámos todas as ofertas e lá fomos comprar o bilhete – 232 pesos (cerca de 11 euros). Quando ia a entrar, de G0Pro na mão, dizem-me que tenho de pagar 45 pesos (cerca de 2.50 euros) para entrar com a máquina. Antes de os mandar para um sítio que eu cá sei, disse que não pagava, saí da fila e fingi que ia ao carro deixar as coisas, mas os gajos toparam-me e tive de deixar a máquina numa sala com “cacifos” que, devido ao tamanho reduzido, não tive de pagar. Outra nota também é que eles implicam com as mochilas, embora nisso eu não tivesse tido problema.

Como sabem, Chichen Itza é uma cidade arqueológica Maia, onde está localizada a conhecidíssima pirâmide de Kukulkán. Mas não é só isso que podem ver por lá. Têm também o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, e o Campo de Jogos dos Prisioneiros, que se têm conservado ao longo dos anos.

México Chichen ItzaNão fiquei propriamente desiludida, porque é daquelas coisas imponentes que nos deixa a pensar como é que foram construídas, há tantos milhares de anos atrás, sem recursos nenhuns de máquinas. Mas é coisa para se ver numa hora. Acho que demorei mais tempo a regatear com os vendedores, do que a ver tudo.

Deixo-vos desde já a nota de que aqui é a melhor zona para comprar recordações. Parece parvo, por ser uma zona turística mas, pelo facto de eles não pagarem renda nem impostos, conseguem preços mais baratos. Eu não sabia disto e acabei por não aproveitar tudo o que queria. Trouxe apenas uma caveira para minha casa (baixei de 200 para 100 pesos, cerca de 5 euros) e um íman por 10 pesos (cerca de 50 cêntimos). E não encontrei mais nenhum sitio que vendesse coisas giras a 10 pesos.

Chichen Itza ficou despachada, mas logo ao lado têm o cenote Ik Kil. Para quem, como eu, não sabe o que é um cenote, passo a citar o que a nossa rica Wikipédia diz sobre o assunto: “é uma cavidade natural resultado do impacto de um grande meteoro a 65.5 milhões de anos atrás, evento que extinguiu os dinossauros da terra, fenómeno que deu origem às águas subterrâneas. Especialmente associado com a Península de Iucatã do México, os cenotes eram usados em alguns rituais de sacrifício da civilização Maia”. México Cenote Ik KilParece giro, certo? Mas acreditem em mim quando vos digo que nada, mas absolutamente nada, consegue descrever a beleza destes locais. Pelo menos o de Ik Kil, o mais conhecido da região.

A entrada foi 70 pesos (cerca de 3,50 euros), que valeram tanto a pena. Neste “buraco” onde, no fundo, se encontra água doce, as ervas escorrem por ali abaixo e é simplesmente surreal. Parece um cenário de um filme, imponente e majestoso. Não tenho palavras para descrever a vista de cima, nem a sensação de nadar ali.

México Cenote Ik KilPara aqui, recomendo que levem uma toalha, porque parece-me que eles não deixam que se desça até ao cenote sem toalha. Ainda antes de descer, pagamos uns 30 pesos por um cacifo onde deixamos seguramente todos os nossos pertences. Depois, tomamos um duche obrigatório e só então podemos descer a escadaria que nos permite, então, ir mergulhar.

Das duas uma: ou são corajosos e atiram-se de umas escadas altas, ou fazem como eu e descem umas escadinhas normais até à água, como as das piscinas.

México Cenote Ik KilA agua é doce, não é muito fria mas tive de me esforçar para me aguentar a nadar durante tanto tempo. Têm a alternativa de alugar um colete e, pensando bem, tinha sido uma boa ideia, porque não tinha de me preocupar em boiar e contemplar melhor o cenote. Basicamente, tive de nadar de uma ponta à outra e agarrar-me à volta nas rochas ou nas lianas, para não ir ao fundo, parar para respirar e ver bem o paraíso onde estava enfiada.

É, contudo, um pouco assustador não fazermos ideia do que está ali por baixo, porque não se vê nada. Mas é uma sensação realmente incrível, que não se consegue propriamente descrever, e nenhuma das imagens que vos possa mostrar vai, efectivamente, traduzir o impacto que se tem ao olhar – e nadar – num sítio destes.

Eram cerca de 17h00 quando regressámos ao hotel e, mesmo sem enganos, demorámos cerca de três horas, também porque passámos por dentro de Valladolid, um dos “povos mágicos” do México. É uma localidade cheia de cor, vida e bastante engraçada. Quanto à viagem, é bastante cansativa, mas sentimos que valeu a pena este primeiro dia! Depois, foi só chegar ao hotel, tomar um banho e ir comer e dormir, porque estávamos exaustas.

Este foi o primeiro roteiro que fizemos no México, mas nos próximos dias vou falar-vos sobre o segundo dia, passado entre Tulum e Akumal, e o terceiro dia, no parque Xcaret. Mas se quiserem, aproveitem para espreitar o vídeo abaixo, com algumas das filmagens de Ik Kil e Valladolid: