Eyeliner Flormar

Há uns anos fiz o Lasik – a operação aos olhos através de tecnologia laser. Tomei esta decisão por vários motivos.

Primeiro, porque desde cedo comecei a ver mal – problema que acontece com todos os membros da minha família. Sim, somos todos uns pitosgas. Comecei a notar no 5º ano quando, sentada nas últimas filas, não conseguia ler o que era escrito no quadro. Desde aí, a graduação foi evoluindo até atingir cerca de 5 dioptrias em cada olho. Pode não vos parecer muito mas, para mim, era significativo. Sem óculos ou lentes, não via correctamente a distância até ao chão, por exemplo.

Por motivos estéticos, decidi investir em lentes de contacto e afeiçoei-me a elas rapidamente. Ao contrário das lentes dos óculos – que, com 5 dioptrias, já são bastante espessas e faziam-me os olhos minúsculos – as lentes de contacto davam-me mais conforto, até porque abrangiam toda a vista. No entanto, apenas se deve usar as lentes durante cerca de 8 horas e eu, com a faculdade e o trabalho, usava-a cerca de 12 horas. Acontecia até, frequentemente, adormecer com elas e, por várias vezes, apanhei conjuntivites e outros tipos de infecções nos olhos, consequência de usar e abusar das lentes.

Nas minhas idas ao oftalmologista, a Drª Sílvia Todo Bom no Hospital da Luz, que eram frequentes devido ao aumento rápido da graduação, perguntava sempre quando seria possível fazer uma intervenção cirúrgica que resolvesse a minha falta de vista, fazendo com que deixasse de usar óculos e lentes. A resposta era sempre a mesma: só podia pensar nisso quando a minha graduação estagnasse.

Isso finalmente aconteceu em 2011, quando comecei o meu estágio e terminei o curso. Fiquei radiante e, em coisa de um mês, estava a ser operada. Foi mesmo com a Drª Sílvia que fiz a operação e estava bastante nervosa, confesso-vos. A anestesia é local, em forma de gotas nos olhos. Fui a segunda pessoa a fazer a operação nesse dia e nem queria acreditar na rapidez com que a paciente anterior entrou e saiu do gabinete.

A operação Lasik

Antes de avançar na descrição da operação, quero deixar desde já a mensagem que sou MUITO, mas mesmo muito mariquinhas, e que toda eu tremia por todos os lados. A Drª tentou acalmar-me, mas não teve grande sucesso.

Deitei-me na maca e, de seguida, foram-me colocados uns ferros nos olhos que os abriam totalmente e impediam que pestanejasse. Quando estamos ali deitados, não temos qualquer noção do tipo de utensílios que estão a ser usados em nós, porque o foco de luz que está por cima é mesmo muito intenso. Visto de fora, estes ferros são assustadores e parece que estamos no filme “Laranja Mecânica”. Mas adiante…

Já com os olhos bem abertos, passou-se a uma parte esquisita que me deixou em pânico, mas que não me recordo a 100%. De repente, foi-me colocado algo por cima do olho e ficou tudo escuro. O que eu não me lembro é se a sensação que tive a seguir foi de me esmagarem o olho ou de o sugarem. O que sei, contudo, é que o que foi feito servia para espalmar o olho de modo a facilitar a utilização do laser.

Com o olho plano, é levantada uma finíssima parte do olho (penso que seja a córnea) e é então que o laser começa a actuar. No primeiro olho, este procedimento aconteceu mais ou menos pacificamente. O problema foi o segundo olho… Com o primeiro olho já extremamente sensível, não estava a conseguir acompanhar a luz do laser, como a Drª pedia, porque o foco de luz estava a ferir-me demasiado a vista. Resumindo: fiz tanta força para resistir ao que me pediam que acabei por fazer um  pequeno golpe no interior da pálpebra, naqueles ferros que me estavam a abrir os olhos.

Embora isto pareça um relato de um filme de terror – e acreditem que, por momentos, pensei que estava num – em menos de nada terminou. A última parte é, utilizando algo que parece um cotonete, colocar a córnea novamente no sítio, num processo que faz algumas cócegas.

Isto tudo aconteceu em… 15 minutos! É um procedimento mesmo muito rápido e saímos de lá pelos nossos próprios pés, embora com a vista muito turva. A sensação, para mim, foi de estar a sair da água do mar e ficar com aquela “cortina” de água na vista, sabem? Ainda assim, e porque conhecia bem o meu telemóvel, consegui ligar ao meu pai para me vir buscar, e deslocar-me sozinha até à porta do hospital.

O após

De Lisboa a Setúbal fui, durante todo o caminho, com uns bons óculos de sol e os olhos fechados. Contudo, a meio do percurso, comecei a sentir pontadas nos olhos, que me disseram que era normal. Quando cheguei a casa, tomei um comprimido para as dores, tentei dormir e, quando acordei, apesar de ainda ter a vista muito turva, já conseguia ler, num relógio digital que se encontrava longe de mim, as horas.

No dia seguinte, já via praticamente a 100% e já me pus de novo ao computador para trabalhar. Ainda assim, possivelmente devido à força que fiz na operação, fiquei com 0,75 dioptrias num olho, que fui lá corrigir noutra operação – felizmente MUITO menos assustadora que a primeira.

As consequências

Antes de fazer o Lasik, fui informada que quase de certeza que, perto dos 40, irei precisar de usar óculos para ler ao perto. Não me fez confusão. O que me fez e ainda faz alguma confusão, às vezes, é as luzes à noite. Especialmente quando vou a conduzir, tudo o que são luzes à noite aparecem desfocadas, e sinto mais dificuldade em reconhecer rostos e medir distâncias à noite do que sentia anteriormente.

Ainda assim, nada compensa o facto de:

  • Ao acordar, já não ir logo buscar os óculos ou as lentes;
  • O poder mergulhar de olhos abertos;
  • Nunca mais ter tido conjuntivites
  • Não gastar dinheiro em lentes e óculos
  • Poder usar óculos de sol a qualquer momento
  • A nitidez com que passei a ver tudo em meu redor

Por todos os motivos e mais alguns, esta operação é uma mais-valia para quem tem dioptrias realmente avançadas. Sem acordos de saúde, é bastante dispendiosa também mas eu aproveitei enquanto ainda tinha a ADSE e ficou-me a menos de 400€ os dois olhos.

Portanto, sou uma paciente muito contentinha com o resultado do Lasik. Já lá vão alguns anos e nunca tive chatices, e voltava a fazer se pudesse voltar atrás. Melhorou bastante a minha qualidade de vida.