Feliz dia da mãe(drasta)

Quis o destino que me apaixonasse por um homem com uma filha. Há mais de dois anos que vivo o papel de madrasta e é por isso que hoje, o dia em que se celebra o Dia da Mãe, partilho um pouco do que é ser madrasta – uma segunda “mãe” invisível.

Tenho de começar por dizer que tenho uma sorte do caraças. A minha enteada é incrível e uma relação maravilhosa. Vamos ver quando entrar na adolescência (o medo, o drama, o horror) mas, até agora, damo-nos lindamente. Sei que há relações madrasta/enteados que são muito complicadas, mas não é o meu caso. Pelo menos no que diz respeito à criança, tudo é pacífico.

Mas ser madrasta não é ser uma bruxa má como vemos nos filmes e nas novelas. Ser madrasta é aprender a amar como uma mãe uma criança que não nos saiu do corpo. É dar tudo por ela como se fosse nossa. Esquecer as boas noites de sono para cuidar dela quando está doente. É abdicar da televisão, da última fatia do cheesecake e do melhor lugar no sofá. De saídas com os amigos, de mais férias e romance. É ir ver um filme infantil ao cinema em vez daquele de acção que queríamos à tanto tempo. É escolher entre comprar uma t-shirt para mim ou um vestido para ela. É não ser capaz de ir a lado nenhum sem pensar como seria se ela estivesse ali.

Ser mãe é natural. Ser madrasta é nos imposto. Acarreta muitas responsabilidades, entrega, dedicação e aprendizagem. Exige paciência e sanidade mental para conseguir educar uma criança à qual temos de nos dedicar como se fosse nossa, e só podemos ralhar com ela como se não fosse.

É uma posição híbrida complicada de gerir. Talvez a mais difícil. Os pais sabem o seu papel. Os padrastos tentam acompanhar. Não podem fazer de mais, mas também não podem fazer de menos. Têm de saber distanciar-se dos dramas familiares que envolvem pais separados especialmente quando, tantas vezes, um progenitor não consegue entender que a vida do outro evoluiu, e que pode haver espaço na vida do seu filho para um padrasto. Que um padrasto não vem roubar o seu lugar, nem quer.

Se é uma dor de cabeça constante? Se é um “trabalho” não remunerado a tempo inteiro? Se é exigente e ninguém valoriza? Sim, sim e sim. Mas quando se tem uma miúda como a minha, vale a pena por tudo.

Um grande AMEN por todos os padrastos deste país que carregam todo este peso. E às madrastas, que tantas vezes, são tão melhores exemplos que as mães. Feliz dia da mãe(drasta).

Sim, que ser madrasta é ser mãe. Não de sangue. Mas no coração.