Do Amor #1

Sou uma romântica incurável. Não sei é por ter apenas 25 anos e ter uma vida inteira pela frente, mas não desisto de acreditar no amor. Culpem a Disney, culpem todos os outros contos de fadas, culpem as séries, os livros e os filmes. Culpem alguém, mas não me culpem a mim. Recuso-me a acreditar que grandes histórias de amor só se vêm nos livros ou no cinema.

Tenho só estes 25 anos mas, acreditem ou não, já senti amor no sentido mais apaixonado e romântico. Já soube o que é estar cheia de sono mas não conseguir dormir porque quero responder a todas as mensagens, já soube o que é viajar quilómetros só para dar um abraço, já soube o que é tremer só com um beijo, a segurança de um adormecer naquele peito, a tranquilidade que só aquela voz consegue dar simplesmente por a ouvirmos.

Já soube o que é sentir que era para sempre (será que vai ser?) mas também já soube o que é chorar até perder as forças por não ter essa pessoa do meu lado, já senti o medo terrível de a perder e já fui derrubada quando isso aconteceu. Já fui dispensada como se anos de história não tivessem tido significado. Já fui traída, já me mentiram, já me humilharam, já me tentaram despedaçar e, em certos momentos, conseguiram-no.

Mas nem todo o sofrimento me fez perder a esperança no amor. Talvez não para mim (às vezes não consigo acreditar que vá ter num homem tudo aquilo a que acho que tenho direito), mas para o mundo. Para as minhas amigas, para quem me rodeia. Fico de coração cheio quando vejo uma mulher ao meu lado a ser bem tratada e respeitada, como a maioria de nós deve ser (digo maioria porque, como em tudo na vida, há excepções e já vi mulheres a terem comportamentos que valha-me-minha-nossa-senhora). Encho-me de esperança para todas nós, solteiras, apaixonadas, determinadas e sonhadoras.

E, claro, fico afectada quando oiço histórias tenebrosas de como alguns homens tratam as suas companheiras. Não desisto, mesmo assim. Quero acreditar que todos os homens, em algum momento da sua vida de cabrão (perdoem-me a expressão, mas não encontro outra mais adequada), vão cair em si quando apanharem uma mulher à altura. Que os desafie, que os complete, que lhes mostre o quão melhor a vida pode ser quando temos A pessoa ao nosso lado. Que uma relação não é, ou não deve ser, uma prisão e que, pelo contrário, é um complemento que torna todos os momentos mais divertidos e com mais sentido.

Dou por mim, em alguns momentos de raiva com situações que me dizem directamente respeito ou que afectam as mulheres à minha vida, a condenar todos os homens à solidão e a rogar-lhes pragas. Perdoem-me, é a raiva que se apodera de mim. Pouco depois, contudo, se vejo um casal feliz na rua em que ele lhe segura a mão ou a olha com carinho (ou se me perco a ver uma série qualquer), volta a esperança. Sou um coração mole, que não aguenta a raiva o tempo que deveria, e que derrete quando vê um acto de amor.

Enfim, acredito que o amor pode existir e que os homens (oh senhores, como eles complicam tudo) um dia se tornam Homens cheios de vontade de remendar os erros do passado e de dedicar-se à sua mulher, A mulher. Culpem a Disney, culpem todos os outros contos de fadas, culpem as séries, os livros e os filmes. Culpem alguém, mas não me culpem a mim.

(Dei por mim a divagar tanto que decidi dividir o texto e começar a apresentá-lo em fragmentos, como uma crónica. Apresento-vos, Do Amor #1, o primeiro episódio desta saga de uma romântica incurável, por vezes meio que revoltada, e com um turbilhão de coisas a dizer sobre o Amor – afinal, não é o Amor um turbilhão?).