Conferencia Portugal Saudavel da Missao Continente

Esta terça-feira, no Museu do Oriente, estive na Conferência Portugal Saudável da Missão Continente. Com um painel muito interessante, que incluiu especialistas internacionais e até mesmo o Ministro da Saúde, foram cerca de três horas de aprendizagem contínua, nas quais o médico futurista Bertalan Meskó e Nick Barnard, fundador da Rude Heath, foram os “cabeças de cartaz”.

Quem já me segue há algum tempo, sabe que o tema da alimentação e de um estilo de vida mais saudável é algo ao qual dou imenso valor. Apesar de não ser a pessoa que faça, constantemente, as escolhas mais saudáveis, sou muito consciente daquilo que me faz bem e que me faz mal. Aliás, acredito que até conheço bastante teoria. O problema é passar à prática.

No entanto, posso dizer-vos que a Conferência Portugal Saudável da Missão Continente foi um abrir de olhos para mim, de certa forma. O tópico fulcral desta conferência foi pensar na alimentação do futuro. Por um lado, temos uma grande parte da população que morre à fome. Por outro, temos cada vez mais pessoas (e crianças) obesas. Por um lado, estima-se que, em poucos anos, deixaremos de ter recursos para alimentar toda a população da terra (com qualidade). Por outro lado, há uma quantidade enorme de desperdício alimentar, enquanto que há tantos recursos que não estamos, ainda, a aproveitar.

Os níveis de stress estão mais elevados do que alguma vez estiveram. E esse stress leva-nos a fazer escolhas alimentares erradas, pouco nutritivas e muito calóricas. Para “desenrascarmos” nestes momentos de stress, refugiamo-nos no fast food, embora sabendo que “faz mal”. Ainda assim, há, cada vez mais, a consciência de termos de adoptar uma alimentação mais saudável.

Conferencia Portugal Saudavel da Missao ContinenteHá uma procura crescente por produtos biológicos e um regresso às origens. Vê-se cada vez mais pessoas a fazer as suas próprias hortas e a preferir os produtos cuja origem é conhecida e mais próximo da “terra”. Enquanto consumidores, somos cada vez mais conscientes dos perigos de certos ingredientes. Hoje em dia, já sabemos que o açúcar é uma droga poderosíssima, bem como o sal. Sabiam que as taxas dos refrigerantes, uma medida implementada pelo Orçamento de Estado 2017, conseguiu reduzir a ingestão de quase 6 toneladas de açúcar em Portugal? É surpreendente. Mas este tipo de iniciativas, sem politiquices à parte, podem ser muito importantes não só para nós, consumidores, como para as marcas – para as obrigar a produzir alimentos nutricionalmente mais saudáveis. Não nos podemos esquecer da quantidade de “novas” doenças que surgiram nas últimas décadas. Diabetes de tipo 2 e 3 e obesidade (em faixas etárias cada vez mais baixas), são doenças crónicas com números preocupantes em Portugal.

“Somos aquilo que comemos” é uma realidade da qual não podemos fugir. O nosso corpo ressente-se quando fazemos escolhas erradas. Nascem-nos borbulhas, sentimos o estômago dilatado, ficamos mal dispostos. Isso é um sinal muito claro. Mesmo em pessoas com certas doenças, uma grande parte da solução passa por mudarmos a alimentação. Dizia o primeiro orador, que gostei particularmente de ouvir, que nós não sabemos nada sobre a nossa alimentação. Não sabemos o que comer, quando comer, que quantidades comer e como comer. E a tecnologia tem criado formas de nos ajudar, mas que nunca nos pode controlar. Já existem scanners que analisam a comida que está no nosso prato e nos indicam todos os nutrientes e calorias. Há colheres que vibram cada vez que comemos rápido demais. Contudo, a tecnologia vai-nos trazer questões éticas com as quais teremos de lidar num futuro muito breve. Quando as pessoas começarem a criar os seus próprios alimentos nas impressoras 3D e comida artificial, qual será o limite?

Enquanto isto, há também os mitos que vão surgindo, muitas vezes sem fundamento. De vez em quando, lançam-se os mitos que um certo ingrediente é uma espécie de inimigo público e criam-se inúmeras teorias para o afastar da nossa alimentação embora, na maioria dos casos, a questão tenha sido mal apresentada ao público. Lembram-se de quando diziam que o leite devia ser retirado da nossa alimentação? Que a grande maioria da população é intolerante à lactose? Pelo que ouvi nesta conferência, as coisas não são bem assim. De facto, há uma certa parte da população que é intolerante à lactose mas são sobretudo os negros e os asiáticos que, por uma questão de raça, deixaram de ser expostos ao leite após o período da amamentação. No entanto, na Europa, estima-se que a grande maioria dos Europeus não tenha qualquer problema com a lactose. O mesmo acontece com o glúten que, de repente, parece ser uma espécie a exterminar. É preciso ter cuidado com os excessos, mas isso acontece com tudo nesta vida. Antes de afirmarmos a pés juntos que somos intolerantes a qualquer coisa porque, simplesmente, parece estar na moda, mais vale fazermos análises e perceber ao que é que somos realmente intolerantes.

Conferencia Portugal Saudavel da Missao Continente

Com a gira da Cátia, do healthy.me_happy.me

Resumindo e baralhando, podem perceber que saí da Conferência Portugal Saudável da Missão Continente com as ideias e a mil e cheia de vontade de fazer escolhas cada vez mais inteligentes na minha alimentação. E que venham mais iniciativas da Missão Continente, que continua a trabalhar com o Governo e com os parceiros no sentido de promover o bem-estar social. Portugal precisa de mais iniciativas assim e de pessoas (consumidores e fornecedores) mais conscientes.