Acho que a Netflix foi dos melhores investimentos que fiz nos últimos anos. Há tantas séries e filmes a sair todos os dias, à minha disposição no telefone, no computador ou na televisão, que nem sei bem por onde escolher. As séries que andei a ver nos últimos meses na Netflix têm temas muito variados, mas acho que valem a pena.

LA CASA DE PAPEL

La Casa de PapelComecei a ver La Casa de Papel porque andava aí um grande buzz em torno da série, ainda por cima espanhola. Achei que devia dar-lhe uma oportunidade e baaaam! Fiquei presa ao ecrã desde o início. Tenho que reconhecer que desde que tirei o curso de espanhol que adoro praticar e que músicas e séries em espanhol têm sido muito úteis. Mas há qualquer coisa de diferente e especial em La Casa de Papel. Há emoções e twists do início ao fim. O plano de assaltar a Casa da Moeda espanhola é genial e demorou meses a preparar. O Professor encontrou um grupo de criminosos e cada um deles é especialista em algo. Vamos percebendo os laços que se vão criando entre eles e só a cada episódio é que vamos percebendo também qual era o plano do Professor. De cada vez que achamos que vão ser apanhados, lá tinha o Professor tudo pensado ao milímetro. Bem, tudo não… Tudo menos apaixonar-se pela inspectora que está a acompanhar o assalto. E, no meio de tudo, ainda há espaço para romance entre um dos assaltantes e uma prisioneira. Genius! A segunda temporada está quase a chegar e eu mal posso esperar para devorar tudo de uma virada. Que vício!

JANE THE VIRGIN

JANE THE VIRGINJane é uma miúda gira, latina, com o namorado perfeito. Mas tudo muda na sua vida quando, ainda virgem, fica grávida. E como? A ginecologista, que estava muito perturbada por ter terminado uma relação, faz-lhe uma inseminação artificial por engano. Curiosamente, o pai da criança é Rafael, um latino super sexy com quem Jane se tinha envolvido a long time ago. O problema é que Jane é super religiosa e decide não abortar. Claro que a sua relação com Michael fica tremida e, pelo meio, Jane envolve-se com Rafael. Ao longo das várias temporadas há muitas voltas na vida de Jane que, como se já não bastasse, descobre que o seu pai é um actor famoso (algo que a sua mãe sempre lhe escondeu). Pelo meio há muita conversa em espanhol, o que me ajuda a ir treinando, mas as personagens têm piada. Não é uma história complexa mas teve algumas voltas que não estava mesmo, mesmo à espera. Houve mortes surpreendentes, momentos muito emocionantes (chorei muito em vários deles) e o filho, que entretanto já nasceu, é um amor. Se gostam de séries bem dispostas e que dão para passar um bom bocado, Jane The Virgin é uma boa aposta da Netflix.

INSATIABLE

INSATIABLEAinda só saiu a primeira temporada na Netflix e, embora as apreciações não tenham sido muito positivas, a Netflix já anunciou que irá sair uma segunda temporada. A história gira em torno de Patty, uma miúda que teve excesso de peso a vida toda e que, depois de um acontecimento engraçado, perde o peso a mais e fica uma verdadeira “bomba”. Claro que, no liceu, de repente todos começam a olhar para ela e, finalmente, ela descobre o que é sentir-se bonita e atraente. Graças ao percalço que a levou a perder peso, Patty conhece um advogado que é também treinador de miúdas para concursos de beleza (vocês sabiam que isto existia? Eu não!). E Patty, que cresceu sem um pai e com uma mãe alcoólica e ausente, agarrou-se ao desejo de ser campeã de concursos de beleza e faz tudo para chegar onde quer. O problema é que Patty é um poço de sarilhos e está constantemente em confusões.

ORANGE IS THE NEW BLACK

ORANGE IS THE NEW BLACKA nova temporada de Orange Is The New Black saiu há pouco tempo e eu já estava mortinha para ver tudo. Depois de ter havido um motim na prisão onde estavam, o grupo de mulheres/criminosas vê-se numa prisão de alta segurança, onde as regras são diferentes, bem como os grupos. Desde que lá chegaram, sente-se que uma espécie de guerra civil está prestes a acontecer e todos os episódios vão escalando até esse momento. E, em cada um deles, vamos percebendo como as prisioneiras se adaptam a esta nova realidade. Em Orange Is The New Black, temos uma visão muito especial de como é a vida nas prisões femininas. Da corrupção, da falta de direitos e da violência gratuita. Mexe connosco em alguns momentos e revolta-nos. É impossível não nos colocarmos do lado delas e de querer que se salvem de lá rapidamente para que tenham uma nova oportunidade. Cada personagem tem uma história diferente. Quando pensamos em criminosos, pensamos em assassinos a sangue frio, em pessoas más e sem escrúpulos. Mas há quem seja preso por coisas estúpidas e irreflectidas. Decisões inconsequentes que, embora por bons motivos (como para sustentar a família), têm um péssimo desfecho. Faz-nos pensar na vida e em quanto a nossa liberdade é importante.

ATYPICAL

ATYPICALAtypical é a história de um miúdo com autismo. Não é fácil para nós imaginarmos como será a vida de alguém que sofre dessa doença, muito menos da vida de quem os rodeia. Sam é um miúdo com 18 anos que está no liceu, prestes a ir para a faculdade. Mas, para Sam, tudo é um desafio. Os barulhos, os ambientes, as pessoas. E as pessoas, senhores, as pessoas são más. São realmente cruéis e o mundo não é feito a pensar em quem tem doenças deste género. Felizmente, Sam encontra uma namorada (whaaaat?!) o que nos faz acreditar no bem deste mundo e que, inclusive, conseguiu que o baile de finalistas fosse um “baile silencioso”, onde a música apenas fosse ouvida através de headphones e, assim, o Sam poderia estar presente (incrível, não é? Sim, claro que chorei!). Mas vamos percebendo, também, como é a dinâmica de uma família com um filho com autismo. Como foi que os pais lidaram com a doença e tudo o que sacrificaram para o apoiar. E como uma irmã mais nova lida com a doença do irmão e o ajuda sempre que precisa, mesmo que isso implique estar sempre a picá-lo. É uma comédia que, mais uma vez, nos faz pensar em temas diferentes.

EU, TU E ELA

EU, TU E ELAComecei a ver esta série por brincadeira, sem saber bem o que era mas rapidamente me fez companhia nos transportes. Jack e Emma são um casal jovem e bonito mas, sabendo que se amam profundamente, está a faltar-lhes a química sexual. Por algum motivo, estão distantes e, como consequência disso, Jack envolve-se com uma acompanhante de luxo, Izzy, por quem fica semi-apaixonado. Jack decide contar o episódio a Emma que, por sua vez, marca também um encontro com ela. O resultado? Emma, que era bissexual, envolve-se com Izzy também. E, após momentos caricatos, decidem ter uma relação a três. Nem sempre a relação a três funciona para todos mas eles esforçam-se ao máximo e têm algo que mais ninguém consegue compreender. Explicar que um casal adoptou um terceiro elemento é algo que a nossa sociedade não está pronta para aceitar. O conceito de poliamor é algo que, para a grande maioria, não faz qualquer sentido mas nesta série é mostrado com tanta natural que parece que pode funcionar.

Se tiverem mais sugestões de séries da Netflix, que sejam bem dispostas e que façam o tempo passar rápido, por favor digam-me!