Bárbara Bação Living in B's Shoes | 29 coisas que quero aos 29

Agora que estou a menos de 365 dias dos 30, há toda uma (de)pressão dos pré-30, derivada dos preconceitos impostos pela sociedade para as mulheres de 30 anos.

Quando era adolescente, achava mesmo que quando chegasse aos 30 anos já ia estar casada com o amor da minha vida, com um filho pequenino a brincar no jardim ao lado de um Labrador. Uma cena à anúncio televisivo, estão a ver? Ia ocupar um cargo importante e ser realmente feliz a fazer o meu trabalho. No fundo, seria já uma “cota” realizada e com a “vida feita”.

Não podia estar mais enganada.

E, embora não haja qualquer problema nisso, chegar perto dos 30 traz toda uma pressão de alcançar, em um ano, tudo aquilo que ainda falta neste cenário utópico. É como que se tivesse entrado em contagem decrescente.

É estranho deixar que a sociedade nos pressione desta maneira. Que nos coloque esta cruz de aos 30 ser quase obrigatório ter a vida orientada, putos nos braços e uma profissão para a vida. E quanto mais penso nisso, mais entendo que não posso deixar que a pressão me deixe em depressão. Que controle a minha vida e as minhas decisões.

Às vezes penso que “falhei” naquilo que imaginei para a minha vida com esta idade. Mas obrigo-me a pensar que a viagem ainda está a menos de metade. Que não é porque só serei mãe daqui a alguns anos (se o meu corpo mo permitir, nessa altura) que sou menos mulher. Nem o serei caso decida que, daqui a uns anos, já não quero ter filhos. Que não me faz menos mulher nem pior pessoa querer investir as minhas poupanças em viagens que me enriqueçam a alma e me façam conhecer o mundo aos poucos. Que não serei menos feliz por não ter uma aliança no dedo ou por não assinar um papel a dois.

Não é fácil fazer frente à pressão que se coloca à medida que os anos avançam. Nós próprias começamos a questionar as nossas escolhas e o nosso caminho. Mas temos de ser mais fortes. Estamos no século XXI. Muitas mulheres antes de nós lutaram para que, hoje, possamos escolher ser o que quisermos. Para que possamos ser felizes.

Temos que estabelecer objectivos para a nossa vida, metas para alcançar. Há que trabalhar para chegar lá, ao nosso ritmo, sem pressões. E, até lá, há que deixar a vida acontecer.