Por 13 Razões

Ainda estou em fase de recuperação e, por isso, tem-me sido imposto algum repouso. Ou, pelo menos, nada de movimentos bruscos nem exercício físico, não fosse romper os pontos e abrir as cicatrizes. Por isso, e como sou muito bem mandada (especialmente se me derem ordens explícitas para não me mexer muito), tenho apostado muito na Netflix.

Este deve ser o terceiro mês desde que subscrevi a Netflix e tenho-a usado mais que nunca, graças a uma série que tem sido muito falada por aí – “Por 13 Razões” (13 Reasons Why).

A série “Por 13 Razões” (13 Reasons Why)

Os dias que passamos no secundário são intensos. Para alguns, os que têm a sorte de ser “os populares”, parece ser mais fácil. Para os restantes, pode ser duro. Mas para todos, há uma pressão social para ser aceite ou ser diferente que pode ter consequências devastadoras.

“Por 13 Razões” narra a história de Hannah Baker e dos acontecimentos que levaram ao seu suicídio. A narrativa chega-nos através de um conjunto de 13 cassetes que deixou estrategicamente para que fossem ouvidas por 13 pessoas diferentes. Cada uma dessas pessoas foi um dos motivos que levou a que Hannah Baker tomasse a decisão de tirar a sua própria vida. Vamos ouvindo, em cada episódio, cada uma dessas cassetes ao mesmo tempo que Clay, seu colega de escola, de trabalho e a sua paixão. Por isso, vamos percebendo o que se passou no passado (pelas gravações de Hannah) e o que se está a passar no presente, em torno de todas as pessoas envolvidas.

É uma série dura, especialmente pelo facto de ser bastante realista.

O bullying não acontece apenas na forma de violência física e a história de Hannah mostra-nos bem isto. A adolescência é um período complicado para todos, em que estamos a tentar perceber quem somos e para onde queremos ir na vida, onde há uma enorme pressão social para fazer parte de um grupo e somos mais tentados a não olhar a meios para atingir esses fins. Conseguimos, ao longo da série, saber quais são os personagens de quem gostamos e sabemos que, apesar de terem agido mal, aprenderam a lição e têm um bom fundo. E conseguimos saber quem são os sacanas que se acham os maiores e se tornam esse tipo de adulto que desprezamos. No entanto, o que vamos vendo também é que as aparências iludem muito. Mesmo os personagens mais convencidos, que achamos que são adolescentes com uma vida fantástica, têm segredos que não revelam. Também eles carregam fardos, mesmo apesar de, na escola, se mostrarem como os maiores.

Acho que devorei a série em menos de 4 dias, com uma vontade enorme de saber quem eram os 13 envolvidos, e qual seria o desfecho. Iriam os 13 jovens revelar ao mundo as cassetes e ajudar a que os pais de Hannah conseguissem ganhar o processo contra a escola? Para além disso, agora que sou madrasta e convivo com mais miúdas pequenas, sinto sempre um nervoso miudinho de pensar que podia acontecer com elas. Os sinais estão à nossa frente – pais, amigos, irmãos – mas nem sempre estamos disponíveis para os ver. E é isso que torna esta série tão impactante – a realidade com que aborda o tema e a forma como nos coloca a pensar.

Quem tem Netflix, não perca esta série – a sério, vale a pena. Esta e outras, claro! Ainda estou a ver o Narcos e a Girl Boss, e tenho outras em lista de espera para começar a ver.